Anfavea reduz de 25% para 22% previsão de crescimento
Luiz Carlos Moraes: “Até o primeiro semestre de 2022 teremos dificuldade de abastecimento de semicondutores”

A Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no Brasil, revisou para baixo as previsões ao desempenho da indústria automotiva em meio à falta de componentes eletrônicos, que vem causando interrupções de produção nas fábricas. A expectativa de crescimento da produção de veículos no ano caiu de 25% para 22%. Se a previsão estiver correta, as montadoras terminarão o ano com 2,46 milhões de veículos produzidos, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.
A revisão foi puxada pela piora na perspectiva da produção de veículos leves, onde a previsão de crescimento da produção caiu de 25% para 21%, na contramão dos veículos pesados (caminhões e ônibus), cuja previsão de aumento da montagem subiu de 23% para 42%.
“Fizemos a revisão com o time técnico da Anfavea olhando para a demanda, aspectos da economia e também para as restrições que estamos enfrentando, principalmente em semicondutores”, disse o presidente da associação das montadoras, Luiz Carlos Moraes.
Em relação às vendas de veículos no ano, a previsão de crescimento caiu de 15% para 13%, sendo que no segmento de carros de passeio, mais afetado pela escassez de módulos eletrônicos, a projeção de crescimento foi cortada pela metade: dos 14%, previstos em janeiro, para 7%.
A Anfavea também mudou, mas para cima, a previsão sobre as exportações de veículos. O crescimento previsto para os embarques, que têm a Argentina como principal destino, passou de 9% para 20%.
ESTOQUE – O total de veículos no estoque de concessionárias e montadoras fechou o mês passado com volume suficiente a 15 dias de venda, nível parecido ao de maio (16 dias), conforme balanço da Anfavea
O setor fechou junho com 93 mil veículos nos pátios de revendas e fábricas, 3,5 mil a menos do que no mês anterior. Na apresentação do balanço, Luiz Carlos Moraes chamou a atenção, como destaque negativo, à queda da produção para abaixo do volume superior a 190 mil veículos que vinha sendo mensalmente mantido pelas montadoras.
“Grande parte da queda vem de paradas de produção por conta, principalmente, de semicondutores”, disse Moraes, citando a falta de componentes eletrônicos que vem causando interrupções nas montadoras.
A Anfavea estimou entre 100 mil e 120 mil unidades a quantidade de veículos que deixaram de ser produzidos no Brasil em função da falta de componentes eletrônicos. Durante a apresentação do balanço, Luiz Carlos Moraes chegou a citar perda de até 140 mil veículos no período, mas preferiu manter uma estimativa mais conservadora sobre o impacto da escassez global de chips na indústria automotiva brasileira.
“É uma estimativa. Por isso estou colocando um range faixa entre 100 mil e 120 mil como referência do que foi o impacto de semicondutores na produção no Brasil”, afirmou Moraes.
A estimativa se baseia em estudo feito pela consultoria Boston Consulting Group (BCG) que indica que 162 mil veículos deixaram de ser produzidos pelas montadoras na América do Sul – de um total de 3,6 milhões de unidades no mundo inteiro – no primeiro semestre de 2021. Partindo da premissa de que o Brasil representa entre 80% e 85% da produção no continente, fazendo um ajuste conservador, a Anfavea chegou à estimativa.
O mesmo estudo da BGC, apresentado durante entrevista coletiva virtual da Anfavea, prevê entre 5 milhões e 7 milhões de unidades a perda de produção da indústria global de veículos durante todo o ano por conta da falta de componentes eletrônicos nas linhas de montagem.
A previsão é de que a normalização do fornecimento de chips – essenciais na produção de veículos, dado o avanço da eletrônica nos automóveis – só aconteça no segundo semestre do ano que vem. “A foto indica que até o primeiro semestre de 2022 teremos dificuldade de abastecimento de semicondutores”, comentou Moraes.



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