Café : Aliado ou vilão?
O café é uma bebida que está embutida culturalmente no dia a dia dos brasileiros. Ao acordarmos o primeiro cheiro que sentimos é o do café que faz parte do café da manhã da maioria das pessoas em nosso país.
Quando recebemos alguém em casa ou em nosso local de trabalho, sempre oferecemos aquele cafezinho como forma de boas vindas.
Até mesmo na hora em que sentimos vontade de comer algo a tarde usamos o termo “café da tarde”ou “vamos tomar um café”.
Por essas razões, por sermos um povo tão apaixonado por essa bebida, falarei sobre os benefícios do consumo do café e sobre os pontos negativos que o excesso da bebida faz para a saúde.
Para desfrutarmos das propriedades benéficas à saúde não devemos ultrapassar a quantidade de 3 à 4 xícaras de café por dia.
Estudos recentes indicam que o café além de ser uma bebida que melhora nossa atenção e concentração, também previnem algumas doenças . Estudos relatam que o consumo diário e moderado (três a quatro xícaras por dia), está associado à menor incidência de câncer de cólon/reto, mama e fígado, além de proteger contra as doenças de Parkinson e Alzheimer.
Estudos feitos com pacientes asmáticos que tomaram café apresentam menor incidência de crises, pois a cafeína possui um efeito broncodilatador.
Mas como tudo em excesso não faz bem o café em excesso também apresenta seus malefícios à saúde .
A cafeína é um estimulante e, como tal, funciona como vasoconstritor. Consumida em excesso, causa a contração das veias e artérias, dificultando a circulação sanguínea. Além disso, acelera os batimentos cardíacos. Em pessoas não habituadas ao uso de cafeína que ingeriram 750 mg de cafeína por dia (mais de dez xícaras), constatou-se uma elevação da pressão.
Os grãos de café contêm substâncias chamadas cafestol e kahweol, que aumentam o colesterol sanguíneo. Portanto quem tem colesterol alto deve limitar o consumo de café. O café coado nesses casos é mais indicado porque a gordura presente na composição do café (cafestol e kahweol) fica retida no filtro de papel.
Uma pesquisa correlacionou a dor de cabeça nos fins de semana com o hábito do brasileiro de tomar grandes quantidades de café durante o expediente. Os pacientes reduziam drasticamente o consumo nos fins de semana e um dos sintomas de abstinência era a dor de cabeça.
Nas mulheres, a cafeína em excesso é capaz de atravessar a placenta e entrar na circulação fetal. Há riscos de aborto, nascimento de bebês pequenos e de parto prematuro, mesmo se ingeridas pequenas doses.
Como a cafeína interfere na absorção de muitos nutrientes devemos evitar tomar aquele cafezinho logo depois do almoço, o ideal é tomar 3 horas depois das refeições.
E pessoas que sofrem de insônia devem tomá-los até às 16:00 horas.
Curiosidades
Você sabia que o café mais caro do mundo é feito à partir das fezes de um animal? Você se habilita a experimentar 1 xícara?
Conhecido como Kopi Luwak ou Café Civeta, o cafezinho mais caro do mundo é produzido da coleta de grãos em fezes de um simpático bicho chamado civeta. Ele é uma espécie de gato herbívoro que se alimenta de grãos de café.
O bichano seleciona os grãos antes de comer, mas apenas a polpa é digerida, e a semente passa intacta pelo sistema digestivo. Durante esse processo, as bactérias e enzimas únicas do civeta fazem com que os grãos fiquem com um sabor especial, descrito como “uma mistura de chocolate e suco de uva, menos ácido e amargo do que os cafés comuns”. Os grãos são higienizados, tratados e torrados antes da comercialização. E é justamente essa produção limitada dos grãos (menos de 230 quilos por ano) o motivo de sua raridade, preço alto (cerca de mil dólares o quilo) .
Sucesso de vendas no Japão, na Europa e nos Estados Unidos, uma xícara da iguaria pode custar 50 libras esterlinas no Reino Unido. A coleta das sementes é feita na na Indonésia e nas Filipinas. No Vietnã, existe um tipo similar de café, chamado weasel coffee, que possui grãos defecados por doninhas.
Conheça um pouco sobre a história do café
A história do café começou no seculo IX. O café é originário das terras altas da Etiópia e difundiu-se para o mundo através do Egito e da Europa.
O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e no século XVI o café era utilizado no oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia.
Em 1475 surge em Constantinopla a primeira loja de café, produto que para se espalhar pelo mundo se beneficiou, primeiro, da expansão do Islamismo e, em uma segunda fase, do desenvolvimento dos negócios proporcionado pelos descobrimentos.
Por volta de 1570, o café foi introduzido em Veneza, Itália, mas a bebida, considerada maometana, era proibida aos cristãos e somente foi liberada após o papa Clemente VIII provar o café.
Na Inglaterra, em 1652, foi aberta a primeira casa de café da Europa ocidental, seguindo-se a Itália dois anos depois. Em 1672 cabe a Paris inaugurar a sua primeira casa de café. Foi precisamente na França que, pela primeira vez, se adicionou açúcar ao café, o que aconteceu durante o reinado de Luís XIV, a quem haviam oferecido um cafeeiro em 1713.
Em 1727, o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará, lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já tinha grande valor comercial. Para isso, fez uma viagem à Guiana Francesa e lá se aproximou da esposa do governador da capital Caiena. Conquistada sua confiança, conseguiu dela uma muda de café-arábico, que foi trazida clandestinamente para o Brasil.
O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o Estado se tornasse um dos mais ricos do país, permitindo que vários fazendeiros indicassem ou se tornassem presidentes do Brasil (política conhecida como café-com-leite, por se alternarem na presidência paulistas e mineiros), até que se enfraqueceram politicamente com a Revolução de 1930.
O café era escoado das fazendas depois de secados nos terreiros de café, no interior do estado de São Paulo, até as estações de trem, onde eram armazenados em sacas, nos armazéns das ferrovias, e, depois embarcado nos trens e enviado ao Porto de Santos, através de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.
Com a “quebra” da Bolsa de Valores americana em 1929, o Brasil teve a primeira grande crise de superprodução do café, tendo que o governo brasileiro promover a queima de estoques para tentar segurar os preços. Nos finais da década de 1930, o Brasil tinha-se visto a braços com outro excedente de produção que foi resolvido com ajuda da Nestlé, quando esta inventou o café instantâneo.
Superada mais essa crise, o Brasil continuou a ser o maior produtor mundial de café, embora nos últimos anos tenha de concorrer com outros países da América Latina.
O café é, atualmente, a bebida artificial mais consumida no mundo, sendo servidas cerca de 400 bilhões de xícaras por ano. O tipo de café mais comum é o arábica, ocupando cerca de três quartos da produção mundial, seguido do robusta, que tem o dobro da cafeína contida no primeiro.
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