Restaurantes por kg não resistem à crise da pandemia
Motivo principal do fechamento de estabelecimentos é a perda econômica causada pela disseminação do vírus da Covid-19

O setor de bares e restaurantes é um dos mais atingidos pela pandemia causada pela Covid-19 no Brasil. Estabelecimentos pensados para atender aqueles que almoçam fora e buscam uma refeição rápida, especialmente em regiões com grande concentração de escritórios, estão deixando de existir devido às medidas de restrição e às altas taxas ao trabalho remoto.
Muitos dos chamados restaurantes “por quilo” ou self-service, que contavam com um movimento altíssimo antes da crise, atualmente têm menos de 10% do movimento pré-pandemia. Estabelecimentos antes lotados em dias de semana agora apresentam placas de venda em suas fachadas.
Marcos Aurélio Frois Benetti, vice-presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Carlos (Sinhores) de São Carlos e região reforçou o dado ao afirmar que o modelo self-service, no qual a comida fica à disposição do cliente, está em franca decadência.
“Para este tipo de serviço, o restaurante tem de vender pelo menos 60% do que se oferece, para que não haja desperdício e prejuízo. A minha experiência mostrou que conseguimos vender perto de 30%. Por isso desativei o modelo self-service e adotei o tradicional prato feito com pequenas variações nas carnes. Assim consigo agilidade na cozinha e zerar o desperdício”, ressaltou.
De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o Brasil tinha cerca de 200 mil restaurantes desse tipo espalhados por todo território nacional. A estimativa atual é de que este número tenha caído para 120 mil, o que representa o desaparecimento de 80 mil negócios.
Benetti disse não saber o número de estabelecimentos do segmento que fechou, mas muitos mudaram de estilo para sobreviver ao período. Esta adaptação muitas vezes não é possível para aqueles que têm estrutura fixa de bufê e de funcionários. “Nestes casos a tendência é fechar”.
O sindicato de bares e restaurantes já vem se opondo às normas do Plano São Paulo de restrição de horário e de quantidade de pessoas no mesmo ambiente, por conta do distanciamento social. Benetti afirmou que o fechamento às 21 horas só atrapalhou o negócio. “Ninguém sai de casa antes das 8 horas da noite”.
De acordo com ele, desde o início da pandemia o setor ficou fechado e depois funcionando com inúmeras restrições e a pandemia só aumentou. “Porque somos [bares e restaurantes] culpados se faz quase um ano que cumprimos o decreto e não se resolveu nada? Ou o decreto não funciona ou o que está promovendo a contaminação são as aglomerações nas filas de supermercado e bancos”, questionou.
NÚMEROS – A associação ainda estima que só no estado de São Paulo, 50 mil estabelecimentos fecharam as portas definitivamente durante a pandemia, sendo 12 mil apenas na capital paulista.
“O setor de bares e restaurantes é um dos que mais conta com pequenos empreendedores no país e, destes, a maioria está endividada. Muitos estabelecimentos são pequenos negócios e até mesmo negócios familiares, o que dificulta a renegociação de dívidas e a quitação de pendências fiscais”, comenta Thomas Carlsen, co-fundador da mywork, startup especializada em controle de ponto online e gestão de departamento pessoal para pequenas e médias empresas.
A Abrasel aponta também que cerca de 335 mil bares e restaurantes já encerraram as atividades definitivamente no país, considerando todos os segmentos.
“O fechamento de portas não representa apenas um encolhimento na economia, mas também a extinção de milhões de postos de trabalho, o que só aumenta as taxas de desemprego no país”, avalia o executivo, “A sobrevivência de restaurantes por quilo e de tantos outros empreendimentos do setor depende diretamente da aceleração da vacinação”.



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