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“Enem não pode ser parâmetro”, diz professor da UFSCar

09/11/2012 10h59 - Atualizado há 13 anos Publicado por: Redação
“Enem não pode ser parâmetro”, diz professor da UFSCar

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado no último fim de semana, mais uma vez recebeu críticas. Este ano por conta do tema da redação, principalmente: “O movimento imigratório para o Brasil no século XXI”.

“O Enem não pode ser parâmetro para formação no Ensino Médio. Assim, parece que fizeram de uma estrada vicinal uma pista de Fórmula 1. O Enem é para avaliar a escola, a instituição. Em todo caso, um exame de dois dias não pode ser referência de 3 anos de estudo. A não ser que a pessoa esteja interessada somente no diploma”, diz Paolo Nosella, doutor em Filosofia da Educação e professor do Departamento de Educação da UFSCar.

E o professor descreve o que pensa ser o Ensino Médio: “Falar sobre Ensino Médio não é fácil, considerando que o objetivo é ajudar o jovem a se identificar intelectual, social e moralmente. Assim, os conteúdos deveriam se dividir em duas partes: primeiro, o ensino rigoroso e objetivo, formado pelo estudo da linguagem, de história, geografia, filosofia, química, biologia…Este seria o núcleo do estudo rigoroso. A segunda parte seria a do ensino livre. Este deve ser orientado e avaliado individualmente. Nesse âmbito, deveria haver oficinas de psicologia, sociologia, arte, música, ou coisas como aeromodelismo, astronomia, artesanato…Esta segunda parte mudaria conforme o interesse do aluno, e seria desenvolvido tanto dentro, quanto fora da escola. O período integral de que tanto falam não é simplesmente para espichar a obrigatoriedade dentro da instituição”, diz.

“A prova do Enem cobra poucos assuntos da matemática”, diz Nicolas Magalhães Kochel, professor da disciplina no cursinho da UFSCar, e completa: “Isso se pensarmos o que é trabalhado no Ensino Médio. Muitas coisas são deixadas de lado, como a parte de funções, por exemplo. É um exame que cobra mais interpretação; analisa se o aluno sabe se localizar no mundo, por assim dizer. Mas em termos conteudistas, ele deixa a desejar”.

Segundo Kochel a prova deste ano, comparada ao ano passado, foi um pouco mais difícil. Afirma também que o Enem influencia o modo de o professor dar aula: “Olhando pelo cursinho, o nosso trabalho tem dado ênfase no Enem, mudamos muita coisa, excluímos algumas matérias que sabemos não serem muito cobradas”, diz.

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