Produção industrial mantém tendência de queda
Quanto ao número de empregados, indicador de evolução ficou mais próximo da linha divisória, atingindo 50,8 pontos

A produção industrial manteve a tendência de queda em fevereiro, como usual para esta época do ano. A Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que o indicador de evolução da produção ficou em 47,1 pontos no mês, ou seja, abaixo da linha divisória dos 50 pontos, o que reflete o movimento de queda disseminado entre as empresas, destaca a CNI. O índice varia de zero a 100 pontos, sendo 50 a linha de corte entre um cenário positivo e negativo.
Já com relação ao número de empregados, o indicador de evolução ficou mais próximo da linha divisória, atingindo 50,8 pontos. “Fevereiro de 2021 é o oitavo mês seguido que o indicador se mantém acima da linha divisória, demonstrando que a tendência de recuperação do emprego industrial se mantém, ainda que gradual”, destaca a entidade.
Na comparação com 2020, a evolução da atividade em fevereiro de 2021 é bem similar. No mesmo mês de 2020, o indicador de evolução da produção foi de 47,5 pontos e o da evolução de emprego de 50,4 pontos.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) de fevereiro foi de 69%, um ponto porcentual acima do registrado no mesmo mês de 2020. Segundo a CNI, “na percepção dos empresários, a atividade está tão desaquecida quanto estava há um ano”. O indicador de UCI efetiva em comparação com a usual é de 44,9 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos, nível que indica que a UCI efetiva está igual à usual para o mês. Na comparação com janeiro, o indicador de UCI efetiva em relação à usual teve queda de 1,8 ponto, indicando uma UCI mais aquém da esperada.
A pesquisa também aponta que, neste início do ano, os estoques estão bem mais baixos que em 2020, o que é resultado da crise gerada pela pandemia da covid-19. As empresas continuam com dificuldades de obtenção de insumos e matérias-primas e de atender a demanda. Os estoques de produtos finais estão abaixo do desejado desde maio.
“O movimento de redução dos estoques de produtos finais arrefece, mas mesmo em um período de menor necessidade de estoques o nível efetivo continua abaixo do desejado. A indústria não está conseguindo levar os estoques para o nível desejado, provavelmente reflexo das dificuldades de conseguir insumos e matérias-primas”, destaca a pesquisa.
A Sondagem foi feita entre os dias 1º e 10 de março, com 1.735 empresas, sendo 704 de pequeno porte, 611 médio porte e 420 de grande porte.
Expectativas do setor
O estudo mostra que, em janeiro e fevereiro deste ano, assim como em todo o 1º trimestre de 2020, as expectativas dos empresários eram mais positivas que em março de 2021. “Com o aumento da incerteza e do risco de intensificação das medidas de isolamento social, os empresários reduziram o otimismo com relação a todas as variáveis investigadas”, diz a CNI.
A expectativa com relação à demanda para os próximos seis meses caiu de 57,9 pontos em fevereiro para 54,5 pontos em março. Em relação a março de 2020, o indicador apresenta queda de 4,3 pontos.
Esse movimento de queda também é observado nas expectativas de compras de matérias-primas, número de empregados e quantidade exportada. A queda no otimismo e o aumento da incerteza levaram as empresas a reduzirem a intenção de investimento. O indicador caiu de 58,3 pontos em fevereiro de 2021 para 55,8 pontos em março. “A queda de 2,5 pontos na comparação mensal é idêntica à observada na comparação com março de 2020. O movimento reflete o menor otimismo dos empresários neste ano na comparação com 2020, em um período imediatamente anterior à chegada da crise provocada pela pandemia de covid-19.”



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