FECAM critica volta do Estado à fase vermelha
Pelegrini argumentou que governo estadual e representantes da categoria de caminhoneiros autônomos precisam encontrar melhor forma

O presidente da Federação dos Caminhoneiros de São Paulo (FECAM), Claudinei Pelegrini, fez críticas à ampliação de medidas restritivas adotadas pelo governador João Doria (PSDB), em São Paulo, para conter a disseminação da Covid-19, com a volta à fase vermelha do Plano São Paulo. As declarações foram feitas ontem ao Primeira Página.
Pelegrini argumentou que o governo estadual e os representantes da categoria de caminhoneiros autônomos precisam sentar e estudar juntos a melhor forma de escalar o distanciamento social.
“Mas, simplesmente, [Doria] é um ditador. Ele chega de cima do seu púlpito e diz vai ser assim a partir de amanhã em São Paulo. Infelizmente, o governador só vai sentir [os impactos] na hora que começar a faltar arrecadação de imposto. Aí sim, eu quero ver o que o estado de São Paulo vai fazer”, disse.
Na sexta-feira, 5, manifestantes realizaram um protesto na Marginal Tietê, na capital paulista, gerando interdição no sentido da rodovia Ayrton Senna. O protesto foi realizado contra a fase vermelha, que passou a valer em todo o Estado a partir da meia-noite de sexta-feira, e seguirá em vigor até o dia 19 de março.
Na interpretação de Pelegrini, as famílias paulistas estão “passando fome” e o governo estadual estaria “pouco preocupado” com o cenário. “O governador Doria usou a rede social na sexta-feira, 5, para dizer que não será ameaçado por ninguém, nem mesmo pelo caminhoneiro. Não estamos ameaçando o governo, queremos dizer que a situação do caminhoneiro autônomo de carga tornou-se insustentável por conta do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] cobrado no estado de São Paulo, uma das cargas tributárias mais altas do país. Aliado ao pedágio mais caro do mundo”, afirmou.
Segundo o líder sindical, o governo nunca se reuniu com a categoria para discutir projetos ou entender as solicitações e reivindicações. “O governo Doria ainda não colocou na mesa de negociação os representantes das concessionárias de estradas e dos caminhoneiros autônomos para que se chegue a um valor coeso para a cobrança do pedágio. Ele não faz esse movimento porque o governo cobre os desfites do ISS e ICMS com o que arrecada das concessionárias”.
Pelegrini relembrou 2018 quando houve uma greve dos caminhoneiros que o abastecimento no país ficou bastante prejudicado. Ele reforçou que se a situação voltar a acontecer, o Brasil pode esbarrar em uma situação mais grave que já está.
Segundo o presidente da FECAM, o estado conta com 410 mil caminhoneiros autônomos e desse universo 225 mil são filiados aos 18 sindicatos que compõem a Federação.
VACINAÇÃO – Pelegrini legou que a categoria deveria estar entre os grupos prioritários de vacinação contra a covid-19, para evitar que o vírus seja levado pelos profissionais assintomáticos de uma região do país para outra. “A vacinação é de extrema importância para diminuir o contágio já que a circulação da categoria é expressiva”, disse.
Segundo o sindicalista o governo tem que entender a importância do caminhoneiro autônomo. “Acho que devíamos entrar na lista de prioridades. Votei em Doria e nunca mais voto. Ele se trancou em um palácio de vidro, ele tem policiamento, quem sabe já tomou vacina, porque não sei que relação ele tem com a Sinovac. Mas o governo quer só dizer que é vermelho, abóbora, classificar o que pode e não pode”, alegou.
Governo de SP diz que mantém “canal aberto” com sindicatos
A secretária estadual do Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patrícia Ellen, disse que as manifestações são bem-vindas quando realizadas de forma pacífica, mas que os atos dos caminhoneiros de hoje podem interromper as vias e a passagem de ambulâncias para socorrer as vítimas da Covid-19.
“Não há hipótese de não termos fase vermelha (…) Nós tivemos o maior aumento de internações em leitos de UTI Covid-19 desde o início da pandemia. E não é somente de idosos, é de jovens, adultos, todos estão adoecendo e nós não teremos leitos para a população se não fizemos nossa parte”, disse, em entrevista na tarde de sexta-feira em rede de televisão.
Em nota, o governo de São Paulo afirmou que entende as manifestações da categoria, mas que ir contra as medidas de isolamento “é ignorar a morte de 60 mil pessoas no estado”. O comunicado acrescentou que a decisão de adotar a fase vermelha em todos os municípios foi feita sob recomendação do Centro de Contingência, em função do aumento de casos e internações geradas pelo novo coronavírus.
“O protesto é um boicote ao esforço dos profissionais de saúde que lutam para salvar vidas em meio a uma pandemia. E, por outro lado, é uma forma de tentar camuflar a realidade macroeconômica que o país enfrenta com cinco aumentos no preço da gasolina neste ano, quatro elevações consecutivas no preço do diesel, inflação de alimentos, a volta da recessão, aumento da dívida pública e a disparada de preços de itens básicos como arroz e leite”, disse o governo de São Paulo. A gestão estadual disse ainda que reconheceu a gravidade da crise econômica e que “mantém canal aberto com todos os setores e representantes de associações”.



Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.