Donos de papelarias estimam queda de 50% nas vendas
Fechamento do comércio presencial com fase vermelha do Plano São Paulo coincidiu com volta às aulas, o que provocou baixa nas vendas

A volta às aulas de forma remota ou presencial não trouxe fôlego ao comércio das papelarias com a venda de material escolar. Uma pesquisa entre as cinco mais representativas lojas do segmento em São Carlos (SP) mostrou que as vendas caíram perto de 50%. A retomada do ano letivo coincidiu com mais um fechamento do atendimento presencial das papelarias, que não está entre os serviços essenciais da fase vermelha do Plano São Paulo.
O dono da Papelaria Ideiafix, no Centro da cidade, Fernando Barbiere, 57 anos, foi um pouco mais pessimista na sua análise do momento. “A nossa experiência tem sido altamente negativa. Nem parece que voltaram as aulas e não houve venda de material escolar”.
Ele afirmou que houve uma queda no volume de vendas que se aproxima dos 70%, comparado a 2019 (quando não havia pandemia) e explica: “As papelarias dão suporte a todo o comércio. Não vivemos só de material escolar. Como no ano passado o comércio ficou muito tempo fechado. E deixamos de vender suprimentos de escritórios.”
A ausência dos mais de 30 mil estudantes universitários de São Carlos fez o déficit nas vendas aumentar. Barbiere disse que o público das universidades representa 80% de seu faturamento.
Um pouco mais otimista foi a gerente de vendas da papelaria Estrela, no Centro da cidade, Jessica Costa, 25 anos, que estimou as perdas em 30%, comparadas ao início de 2020. “Usamos os meios eletrônicos como WhatsApp e e-mail para atender aos nossos clientes. Eles mandam a lista e nós enviamos fotos dos nossos produtos e a entrega é por delivery ou drive-thru”.
A venda online foi o mecanismo que Márcia Peret, 62 anos, da Propapel, encontrou para diminuir o impacto da redução do consumo de seu comércio. “Comparado ao ano passado nesse mesmo período, já perdemos perto de 45%. Esperávamos fechar a loja de vez. A situação que o país vive, a falta de perspectiva sem a vacinação e a retomada da economia, que depende fundamentalmente da imunização, nos deixa sem esperança”.
Já a experiência das vendas pelo meio eletrônico feita por Barbiere na Ideiafix não se tornou a melhor solução. “Tentamos fazer vendas via WhatsApp, mas agregou pouco. O nosso produto o cliente precisa ‘ver com as mãos’. Só assim ele compra”.
Todos os comerciantes se queixaram da drástica redução nas vendas das mochilas. Eles alegam que com as aulas remotas o item perdeu a função. Outro ponto é a perda de renda das famílias brasileiras. Muitos deixaram de comprar o supérfluo e desnecessário nesse momento. “Estamos liquidando todas as nossas mochilas e não há perspectiva de novas compras até que as aulas presenciais sejam retomadas” afirmou Márcia.
VALOR – Segundo a Associação Brasileira do Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE), os materiais escolares importados, como mochilas e estojos, estão por volta de 20% mais caros em relação ao ano passado. A associação indica que a alta acontece devido à variação cambial considerável do dólar.
Para este ano, a entidade tem uma projeção de aumento de 8% a 10% nos valores cobrados dos materiais escolares fabricados no Brasil. A estimativa tem como base o reajuste das matérias-primas básicas, como tintas, papel e plásticos.



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