Economista “aprova” aquisição de vacinas pela iniciativa privada
Paulo Cereda afirma que empresas terão somente ganhos com vacinação em massa e fim das incertezas que pandemia impõe a todos

Empresas privadas brasileiras negociam com o Ministério da Saúde (MS) uma autorização para importar 33 milhões de doses da vacina de Oxford e AstraZeneca. A postura é aprovada pelo economista Paulo Cereda. Segundo ele, esta parceria entre governo e iniciativa privada em busca da imunização só teria ganhadores.
“Esta novidade é bastante compreensível, mesmo que esta dose saia por US$ 23,50, o que é muito mais do que o governo pagará. Porém, é mais barato vacinar os funcionários do que trabalhar em home office ou mesmo bancar um afastamento. Desta forma, você tem um horizonte de maior certeza, inclusive acenando para o mercado e melhorando a imagem das empresas na Bolsa de Valores. Isso também seria muito bom para o governo federal, uma vez o que governo gastaria R$ 60 bilhões, o que é muito menos que os R$ 300 bilhões gastos pela União em Auxílio Emergencial em 2020. Isso seria fundamental, ou seja, a vacinação concretizada o mais rápido possível. Sendo assim, o apoio da iniciativa privada seria muito bem vindo”, comenta ele.
De acordo com o andamento das negociações, o MS deve editar um ato liberando a compra mediante algumas condições. Dentre elas, deve estar o acordo de que metade das doses seja doada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O restante seria utilizado pelas empresas para distribuir entre funcionários e familiares.
O objetivo das empresas é que parte de seus funcionários seja imunizada, garantindo que as atividades prossigam em funcionamento. As 33 milhões de doses negociadas podem chegar ao Brasil ainda em fevereiro. De acordo com os empresários ouvidos pela Folha, a farmacêutica Dasa, que detém laboratórios e hospitais, é a instituição que conduz à negociação de compra.
No início do mês, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a prioridade para a compra de vacinas seria do SUS e que empresas só poderiam comprar os imunizantes “uma vez supridas” as demandas do sistema – o que ainda está longe de acontecer. De acordo com os empresários, porém, o governo teria sinalizado a liberação da compra.



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