Câmara tem manifestação em favor de índios guaranis kaiowás
A Câmara Municipal recebeu na tribuna livre da sessão desta terça-feira, 30, o estudante da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), LennonFerreira Corezomaé, indígena da etnia umutina, que se manifestou em nome deseus colegas, sobre ao drama da aldeia guarani-kaiowa, ameaçada de despejo, pordecisão judicial, da área que ocupa na Fazenda Cambará, às margens do Rio Hovy,em Naviraí, Mato Grosso do Sul.
Ele informou que estudantes realizam neste dia 31 emBrasília uma marcha em favor dos índios para sensibilizar as autoridades abuscar a demarcação da área em Mato Grosso. Uma nova manifestação ocorrerá nodia 9 de novembro em São Paulo.
O estudante leu em plenário uma carta do grupo deíndios ameaçados, que prometem resistir até à morte: “Pedimos ao Governo e àJustiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretarnossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui”, afirmam. “Pedimos, de uma vezpor todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar váriostratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos”,acrescentam.
“O que está em jogo é o vínculo dos indígenas com seuterritório sagrado onde seus antepassados estão enterrados”, disse Corezomaé,ao solicitar apoio da Câmara de São Carlos à luta pela demarcação das terrasdos guaranis-kaiowas. Na semana passada,organizações representativas de várias etnias indígenas espalharam nestasexta-feira 5 mil cruzes no gramado da Esplanada dos Ministérios para protestarcontra a violência fundiária e chamar a atenção das autoridades em relação ao impasseem Naviraí.
Dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)indicam que, entre 2003 e 2011, foram mortos 503 índios no País, vítimas deviolência fundiária. Desse total, 279 são do povo guarani-kaiowa, que há maisde 50 anos teve suas terras invadidas no Mato Grosso do Sul por projetos decolonização agrícola e, deste então, vive em conflito pela homologação edemarcação de suas reservas.



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