Reino Unido amplia oportunidades para agro do Brasil
Nova tributação traz flexibilizações nas alíquotas de 563 produtos do agronegócio

O Brasil deverá ter novas oportunidades para a exportação de produtos agrícolas ao Reino Unido a partir do novo regime tarifário britânico pós-Brexit, que entrará em vigor em janeiro de 2021, apontou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Segundo a CNA, a nova tributação traz flexibilizações nas alíquotas de 563 produtos do agronegócio, incluindo um montante equivalente a US$ 533 milhões no fluxo com o Brasil, conforme dados de 2019. As exportações do agro brasileiro para o país europeu somaram US$ 1,43 bilhão em 2019.
“Em relação às importações advindas do Brasil, cerca de 37% da pauta terá alguma flexibilização tarifária e 15% da pauta de 2019 está classificada entre os produtos com maiores oportunidades para ampliação comercial”, disse a CNA.
O estudo indicou que 50 produtos, entre os mais de 550 com impostos flexibilizados, possuem as melhores oportunidades para o país, uma vez que o Brasil possui oferta exportável.
Em 2019, esses produtos foram responsáveis por um fluxo de US$ 79,3 milhões, um montante relativamente pequeno perto do potencial de exportações do Brasil.
Entre essas oportunidades, a CNA destacou especialmente as frutas como os limões – que tiveram reduções de até 14 pontos percentuais se comparadas às tarifas máximas aplicadas pela União Europeia –, uvas e maçãs, além dos vinhos e cacau em pó, que passarão a entrar no Reino Unido sem necessidade de pagamento de impostos.
Atualmente, as frutas são o terceiro principal grupo de produtos exportados pelo Brasil ao mercado britânico, tendo somado 178,8 milhões de dólares em 2019, atrás somente da carne de frango e madeira.
A confederação vê ainda oportunidades no grupo do algodão, que passará por uma liberalização tarifária generalizada e ao qual o Brasil praticamente não possui acesso no Reino Unido atualmente.
“O Brasil possui pauta exportadora significativamente diversificada com o Reino Unido e aponta indícios de que o mercado é suscetível à aquisição de produtos de cadeias não tradicionais do agronegócio brasileiro no comércio internacional, como soja e carnes”, disse a CNA no estudo.
Um produto do Brasil que deve se beneficiar no novo regime tarifário é o açúcar, cuja indústria recebeu notícia positiva do Reino Unido na última semana, quando foi anunciada a criação de uma cota sem tarifa para importação de 260 mil toneladas de açúcar bruto de cana.
Ao informar a abertura da cota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) destacou que a medida amplia o acesso do Brasil a um mercado que era suprido majoritariamente pelo produto da União Europeia.



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