BC indica queda de compromisso de não subir juros
Reuniões do 1º trimestre do Comitê de Política Monetária (Copom) estão previstas para 19 e 20 de janeiro e 16 e 17 de março

O Banco Central apontou que a partir do 1º trimestre do próximo ano o peso do quadro inflacionário em 2022 será mais relevante para sua atuação, numa indicação de que, com as projeções para inflação daquele ano na meta, seu compromisso de não subir os juros poderá cair a partir daí.
“No 1º trimestre o peso de 2022 começa a ser maior que o peso de 2021, no 2º trimestre do próximo ano o foco é na inflação de 2022 e assim por diante”, disse o diretor de Política Econômica do BC, Fabio Kanczuk.
Neste mês, o BC manteve a Selic em 2% ao ano pela 3ª reunião seguida do Copom e destacou que as condições para seu compromisso de não elevar os juros básicos podem “em breve” não estar mais satisfeitas.
O BC citou especificamente uma reversão da tendência de queda das expectativas e inflação em relação às metas para o horizonte relevante e o fato de 2022 ganhar relevância “ao longo dos próximos meses”.
As reuniões do primeiro trimestre do Comitê de Política Monetária (Copom) acontecem em 19 e 20 de janeiro e em 16 e 17 de março.
Kanczuk afirmou que pareceu ser mais importante para o BC dar luz à questão da inflação no horizonte relevante da política monetária “por ter uma probabilidade maior de acontecer”.
Mas ele afirmou que as outras duas pernas que sustentam o forward guidance (prescrição futura: ferramenta de política monetária usada pelo BC para sinalizar a taxa de juros) continuam igualmente válidas.
Por meio do instrumento, o BC se comprometeu a não elevar a Selic desde que algumas premissas fossem mantidas: expectativas de inflação e projeções de inflação de seu cenário básico abaixo da meta para o horizonte relevante de política monetária, não alteração do regime fiscal e ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo.
Apesar de pavimentar o caminho para o fim do forward guidance, o BC novamente destacou que uma alta da Selic não seria um processo mecânico a partir daí. Para sua decisão sobre os juros, a autoridade monetária se baseará no regime de metas para a inflação, com análise da inflação prospectiva e de seu balanço de riscos.
Já conhecidas desde a semana passada, as projeções de inflação do BC pelo seu cenário-base são de alta do IPCA de 4,3% em 2020, 3,4% em 2021 e 3,4% em 2022, sendo que as metas para os respectivos anos são de 4%, 3,75% e 3,5%, sempre com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos.
Esse cenário considera condicionantes como alta do preço de commodities ao longo do tempo, taxa de juros real neutra de 3% ao ano e o fenômeno La Niña como fator inflacionário em 2021 e desinflacionário em 2022.
Para a energia elétrica, o cenário-base considera bandeira vermelha patamar 1 para o fim de 2021 e amarela para os finais de 2022 e de 2023.
CENÁRIOS PARA SELIC
O BC também abriu a trajetória para a Selic, retirada da pesquisa Focus, que é incorporada neste cenário: elevação dos juros em 0,25 ponto em agosto, a 2,25%, passando então a 2,5% em setembro, 2,75% em outubro, e fechando 2021 em 3%.
No relatório, o BC calculou que o prolongamento da epidemia de coronavírus reduziria a projeção de inflação para 2021 em 1 ponto, a uma alta de 2,4%. A conta para a inflação em 2022 também seria afetada em -0,9 ponto, a um IPCA de 2,5%.
Já numa simulação quanto aos impactos para a inflação de um desarranjo nas contas públicas e seus desdobramentos sobre o câmbio, incerteza econômica e prêmio de risco, o BC estimou que a inflação no próximo ano terminaria com alta de 6,4%, salto de 3 pontos em relação ao cenário-base e ultrapassando o limite superior do intervalo de tolerância da meta, de 5,25%.
Para 2022, o impacto desse cenário negativo no front fiscal seria de 0,8 ponto, com inflação a 4,2%.



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