Aposta é que só parte da reforma tributária possa ser aprovada
Itaú Unibanco não prevê aprovação de reformas estruturais, como a tributária, em 2021

Analistas apostam que senão toda, ao menos parte da reforma tributária possa ser aprovada em 2021. Mais cético, Gustavo Arruda, economista-chefe do BNP Paribas no Brasil, vê maiores chances de aprovação da reforma tributária apenas no início do próximo mandato presidencial, em 2023. “As pretensões da reforma tributária são imensas, e as perspectivas aqui são de ajuste, do lado tributário, onde alguns setores vão ter que pagar mais”, afirmou.
De acordo com ele, é “difícil imaginar” que seja possível a criação de um acordo social, no período pós-pandemia, em torno de um aumento setorial de impostos que contemple uma simplificação, na média, dos tributos.
Arruda também não se mostra otimista quanto à tramitação da reforma administrativa, à medida que, no decorrer de 2021, o foco vai se voltando para as eleições de 2022. O BNP trabalha com perspectiva de crescimento econômico de 3% em 2021.
O Itaú Unibanco também não prevê aprovação de reformas estruturais, como a tributária, em 2021, enxergando maior dificuldade nas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) – que exigem aprovação por três quintos dos votos dos deputados (308) e senadores (49).
“Em um mundo pós-pandemia, é muito mais difícil construir consenso, e isso em um governo que tem dificuldades em articulação política também”, afirma Pedro Schneider, economista da instituição.
No entanto, o banco projeta que pautas com uma via mais fácil – que demandam apenas aprovação por maioria simples – têm chance maior de aprovação, como a revisão de marcos regulatórios.
“A agenda de venda de ativos provavelmente também, não por privatizações, que precisam de aprovação do Congresso, mas por desalavancagem das empresas e de bancos públicos”, diz o economista, citando a política de venda de ativos da Petrobras e a diminuição do tamanho da carteira de ações do BNDES.
Schneider estima avanço de 4% do PIB em 2021, com “viés de melhora” condicionado ao controle do vírus, à vacinação e ao retorno ao teto de gastos. Pela mais recente pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, a economia vai retrair 4,41% em 2020, antes de crescer 3,50% em 2021.



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