Reajuste no salário beneficiam mais de 10 mil metalúrgicos
Sindicato dos trabalhadores do segmento faz balanço positivo de 2020 mesmo com a covid-19 e a grande crise sanitária e econômica

Os metalúrgicos de São Carlos e Ibaté estão comemorando a conquista de reajustes salariais e outros benefícios mesmo num ano em que o Brasil enfrentou a maior crise econômica e sanitária de sua história. O desfecho beneficia cerca de 10 mil trabalhadores que atuam em cerca de 570 empresas de micro, pequeno, médio e grande porte.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté, mais de 90% dos trabalhadores da base estão cobertos com algum acordo coletivo e garantidos com algum aumento salarial. Os reajustes foram entre 2,95% a 5%, dependendo da negociação. Algumas só repuseram a inflação. Outras concederam aumento real.
“As negociação nunca foram fáceis. Mas neste ano, a Covid-19 foi um adversário adicional, pois a economia chegou a parar e a indústria não tinha razão de fabricar nada. Tivemos que saber negociar num momento tão complicado para evitar que houvesse o fechamento em massa de fábrica e um grande desemprego. Foi um momento de grande responsabilidade para o sindicato”, avalia Strano.
Ele ressalta que na Electrolux e na Tecumseh houve concessão de reajuste de 3%. Na Tecumseh houve reajuste de ticket alimentação e negociação de PLR. A maioria dos acordos coletivos foram fechados a partir de 15 de setembro. Por volta de 15 de outubro foi fechada a convenção coletiva. Ficou para trás o Grupo 10 da FIESP, que não faz acordo coletivo. “Procuramos várias empresas do grupo e várias de São Carlos fecharam acordos individuais”.
VOLSKSWAGEN – Os operários da fábrica de motores da Volks de São Carlos aprovaram, em meados de setembr, a proposta apresentada pela montadora junto aos sindicatos dos municípios onde a empresa possui unidades produtivas, para alterar pontos do acordo coletivo.
A proposta aprovada prevê estabilidade de 5 anos e a abertura de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) com pagamento de até 20 salários para quem aderir.
A nova proposta, construída através da negociação das entidades sindicais é infinitamente melhor do que a original da montadora, pois a anterior previa a demissão de 35% dos trabalhadores. A votação foi feita em assembleia respeitando o distanciamento mínimo devido à pandemia do coronavírus.
Além de São Carlos, o acordo já foi aprovado em São Bernardo do Campo, Taubaté e em São José dos Pinhais. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do município, a fábrica conta com 920 trabalhadores no total.
O presidente Vanderlei Strano ressaltou que as negociações para evitar as demissões em massa perduraram durante cerca de quatro semanas durante todo o dia. Ele afirma que a notícia é boa não só para os trabalhadores, mas para a economia de São Carlos como um todo, pois se houvessem as demissões, seriam mais pessoas no desemprego e sem recursos para movimentar o comércio local. “Quanto menos empregos, menos recursos circularão na nossa economia. Garantindo emprego e garantindo renda podemos garantir que a economia local seja irrigada com os recursos resultantes de salários e direitos trabalhistas dos companheiros”, completa ele.
Além das cláusulas do acordo coletivo, a Volkswagen e os sindicatos ainda acertaram algumas propostas relacionadas a possíveis novos produtos nas fábricas de São Bernardo e Taubaté.
Uma das sugestões é garantir que um modelo produzido no ABC Paulista também possa ser feito no interior, mesmo sem estar utilizando a capacidade máxima em São Bernardo. A contrapartida é que o volume de produção na primeira unidade deverá ser maior que na segunda.



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