Aceleração tem ligação com preço de alimentos
Índice de difusão dos produtos alimentícios subiu de 73% em outubro para 80% em novembro

As famílias voltaram a gastar mais com alimentos no mês de novembro. O grupo Alimentação e Bebidas saiu de uma elevação de 1,93% em outubro para um avanço de 2,54% em novembro, dentro do IPCA/IBGE. O grupo contribuiu com 0,53 ponto porcentual para a taxa de 0,89%.
Segundo Kislanov, houve uma disseminação maior de produtos alimentícios com aumento de preços. O índice de difusão dos produtos alimentícios subiu de 73% em outubro para 80% em novembro. “Em 80% dos subitens do grupo alimentação e bebidas tiveram variações positivas. A inflação está mais espalhada pelos alimentos”, apontou Pedro Kislanov.
Os alimentos para consumo no domicílio subiram 3,33% em novembro. As carnes ficaram 6,54% mais caras, item de maior impacto sobre o IPCA do mês, uma contribuição de 0,18 ponto porcentual. A batata-inglesa aumentou 29,65%, a quarta maior pressão sobre a inflação, 0,05 ponto porcentual, seguido pelo tomate, com aumento de 18,45% e impacto de 0,05 ponto porcentual.
As famílias também pagaram mais pelo arroz (6,28%) e pelo óleo de soja (9,24%). Por outro lado, o leite longa vida teve queda de 3,47%, maior contribuição negativa para a inflação, -0,03 ponto porcentual.
Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,57% em novembro, influenciada pela alta na refeição fora de casa (0,70%), mas também ficaram mais caros a cerveja (1,33%) e refrigerante e água mineral (1,05%).
O grupo Alimentação e bebidas subiu 12,14% no acumulado de janeiro a novembro 2020. Em 12 meses, alimentação e bebidas aumentaram 15,94%.
De acordo com Kislanov, o IPCA ao fim de 2019 estava pressionado especificamente pelas carnes, enquanto que a taxa de inflação acumulada neste ano mostra uma pressão mais disseminada dos itens alimentícios. “No final do ano passado, esse resultado acumulado nos últimos 12 meses e no início deste ano estava muito relacionado a um item específico, que eram as carnes. Agora a gente tem alta dos alimentícios, mas uma difusão maior, mais itens: batata, tomate, óleo de soja, arroz. No acumulado do ano desses itens todos você vê altas de mais de 60% em muitos casos, em alguns casos até de 100%”, disse Kislanov. “Com a redução do dólar, a melhora do cenário econômico, uma eventual retirada do auxílio emergencial, pode ser que tenha arrefecimento dos preços alimentícios em particular”, completou.



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