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Lucros do café e imigrantes lançaram as sementes da indústria

Crescimento do setor fabril foi fundamental para o município suportar a crise de 1929 e as duas guerras mundiais

04/11/2020 07h55 - Atualizado há 5 anos Publicado por: Redação
Lucros do café e imigrantes lançaram as sementes da indústria Foto: Arquivo / Reprodução

A Câmara Municipal registra que em 1869 São Carlos já abrigava uma olaria. Mas não era a única empresa Havia em pequena escala, a indústria de tecido de pano grosso, de algodão que era vendido em rolos, para sacos, lenços de enxugar açúcar e roupas de escravos”, conta o Dr. Theodorico de Camargo. Eram empresas que visavam apenas a suprir as necessidades domésticas.

O fazendeiro João Alves de Oliveira tinha um engenho de açúcar para consumo próprio.  O Almanaque de 1894 confirma a existência de uma marcenaria, um depósito de móveis, uma fundição, uma fábrica de máquinas agrícolas, uma serraria a vapor, uma torrefação de café e um produtor de charutos, além de outros vários fabricantes de macarrão, sabão e aguardente.

No final do Século XIX, São Carlos chegou a ter 12 fábricas de cervejas e gasosas (refrigerantes), devido à alta qualidade de sua água. Em 1891, a cidade tinha sete fábricas deste setor. Os proprietários eram de origem italiana, alemã e espanhola.

O ano de 1911 marca o surgimento de uma nova etapa, com duas grandes indústrias. Os recursos, os empresários e a mão-de-obra eram locais, mas a matéria-prima vinha de outras regiões, e o objetivo era atingir outros mercados.

Começa a funcionar a Fábrica de Tecidos Magdalena, que produzia confecção de roupas masculinas e femininas, e chegou a ter quase mil funcionários. O investimento estava ligado a fazendas produtoras de algodão na região de Brotas. Em 1916, a Magdalena entrou em crise e foi sucedida pela Companhia Fiação e Tecidos São Carlos.

No mesmo ano, a Serraria Santa Rosa, fundada pelo imigrante português Francisco Ferreira, entrava em operação. Ela utilizava energia própria, gerada por um motor marca Wolf, importado da Alemanha. Foi, nos seus tempos de glória, a maior indústria madeireira do Estado de São Paulo. Graças a ela e à Serraria Giongo, fundada em janeiro de 1897, na primeira fase industrial são-carlense, inúmeras pequenas indústrias de transformação da madeira se instalaram na cidade, que chegou a ficar famosa, pois o volume camas fabricadas anualmente superava o número de habitantes.

“O conceito de indústria modificou-se com o passar do tempo, provavelmente a partir do momento em que o elemento estrangeiro começou a afluir ao país em maior número e a instalar as primeiras indústrias para atender ao consumo da população”, ressalta o historiador Octávio Damiano.

O capital acumulado com os estrondosos lucros trazidos pela economia cafeeira somado à existência do elemento imigrantes foram fatores fundamentais para a industrialização de São Carlos e o surgimento de uma indústria com produção em escala e a implementação de novas tecnologias.

O Almanaque de 1928 incluiu o artigo de Domingos de Luca intitulado “O elemento Italiano no progresso de São Carlos”. No texto são citadas fabricantes de gelo, salames, cadeiras, cola, pregos, licores, biscoitos, doces, flores artificiais, toucas, macarrão e até oficinas mecânicas.

Talvez o grande empreendimento desta fase de gestação da indústria local tenha sido a H. Fehr, surgida em 1926. A pequena fábrica de lápis foi adquirida, quatro anos depois, pela Johann Faber, de capital alemão, o que fez surgir a primeira multinacional que tinha planos de exportar material escolar para toda a América do Sul. Terminava o ciclo inicial do sistema fabril de São Carlos, iniciado em 1869 e que durou cerca de sessenta anos.

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