Sem universitários, comércio amarga prejuízo de R$ 300 mi
Montante é equivalente a um terço de toda a receita obtida pela Prefeitura durante todo o ano

Os comerciantes de São Carlos de vários setores, que vão de bares e pizzarias até serviços de Uber, supermercados, lanchonetes, padarias e tantos outros, estão amargando, em 2020, com a Pandemia da Covid-19, um prejuízo de aproximadamente R$ 300 milhões. Este valor leva em conta um valor mínimo de R$ 25 milhões que os mais de 10 mil universitários de São Carlos gastam a cada mês nos setores comercial e de prestação de serviços da cidade. A cada ano sem os estudantes, o prejuízo bate nos R$ 300 milhões, montante que representa cerca de um terço do orçamento da Prefeitura Municipal de São Carlos.
Isso sem falar na TUSCA (Taça Universitária de São Carlos) e outras várias competições realizadas ao longo do ano que movimentam cerca de pelo menos R$ 5 milhões. O empresário e economista Italinho Cardinali confirma que com o cancelamento das aulas em 2020 e a volta somente em 2021, vários estudantes entregaram os imóveis onde moravam, o que provocou uma considerável queda no setor de locações imobiliárias.
O estudo “Universidades – Demanda e Oferta: o mercado produtivo sema presença da vida Universitária”, realizado pelo Departamento de Economia da ACISC (Associação Comercial de São Carlos), comandado pelo economista e professor Elton Casagrande, afirma que a presença das Universidades em cidades é um elemento institucional de desenvolvimento econômico. Ciência e Tecnologia não têm fronteiras, mas a localidade/região se beneficia da presença física. As Universidades movimentam a atividade econômica a partir de muitos itens”, comenta o estudo.
Os estudantes de USP e UFSCar, principalmente, mas também UNICEP, adquirem, no comércio local, produtos do seu consumo próprio de itens de higiene, limpeza, abastecimento do restaurante universitário, cantinas e segurança; do consumo de itens para funcionamento administrativos como materiais de escritório; do consumo de materiais de médio e alto valor agregado para laboratórios; de visitantes para eventos regulares como defesas de dissertações/teses; seminários etc. Eles também são responsáveis pela folha salarial de professores e servidores – que continuam gastando na cidade.
De acordo com o levantamento, mais de 10 mil estudantes que gastam aproximadamente de R$ 2.500,00 a R$ 3.500,00 com aluguéis, alimentação, saúde/farmácias/, bares e restaurantes, segurança privada; energia e água; combustíveis, mecânica . Eles também movimentam outros setores, com gastos com manutenção predial e com veículos (frota da universidade). “Só com estudantes e visitantes estima-se, aproximadamente, ou pelo menos R$ 25.000.000,00 mensais entre as Universidades Públicas e Particulares”.
MAIOR CRISE – O economista e professor da UFSCar, Luis Fernando Paulillo, afirma que a atual crise econômica é simplesmente a maior que o capitalismo enfrenta desde o início do Século XX e parecida com o a de 1929. O especialista destaca que no Século passado a gripe espanhola matou mais gente do que a Segunda Guerra Mundial e muito mais gente do que a Primeira Guerra Mundial.
Segundo ele, a crise é totalmente diversa das demais por ser mundial e por ser caracterizada como uma crise de saúde, sanitária, viral que afeta o setor econômico e impor o desafio aos governos de salvar vidas no combate à doença e também salvar vidas através da manutenção da economia. “Os níveis de incerteza atuais jamais foram enfrentados pelos economistas. Desta vez estão articulados saúde e economia, o que nunca aconteceu antes. Nós economistas, fomos treinados para buscar soluções econômicas para crises econômicas”, ressalta o economista.



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