Metalúrgicos tentam barrar cerca de 500 demissões em negociação com VW
Em São Carlos, tal corte resultaria na demissão de cerca de 500 dos entre 1.800 e 1.900 operários da fábrica de motores

Prossegue esta semana, em São Bernardo do Campo (SP), na sede da Volkswagen do Brasil, as negociações entre sindicalistas e montadora com relação ao plano de reestruturação lançado pela companhia e que prevê, em média, uma redução de 35% no quadro de funcionários em todo o Brasil. Em São Carlos, tal corte resultaria na demissão de cerca de 500 dos entre 1.800 e 1.900 operários da fábrica de motores.
“Diante do cenário desfavorável que economicamente estamos passando, certamente essa negociação não será fácil. A pandemia pelo Covid-19 tem efeitos trágicos no mundo e não é diferente no Brasil, pois aqui temos um governo com políticas ineficazes para a retomada da economia. Desta forma, a crise econômica afeta diretamente na produção, e na planta de São Carlos, tivemos uma queda de 36% em 2020”, explica a direção do sindicato em panfleto distribuído aos operários.
Ao longo dos anos o Sindicato (CSE e Comissão) adotou diversas medidas com a aprovação dos trabalhadores para garantir os empregos e direitos, inclusive o acordo vigente que se encerra em 2021. “Tivemos alguns percalços nesse meio tempo, no que diz respeito a retirada de direitos dos trabalhadores, como as aprovações das Reformas Trabalhistas, Terceirização e a Reforma da Previdência, que diretamente prejudica no nosso poder de negociação”, lamenta o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté, Vanderlei Strano.
Segundo ele, a negociação não será fácil. “Mas vamos discutir como sempre fizemos, pensando em primeiro lugar no trabalhador. Não concordamos com a pauta apresentada, estamos empenhados em manter os direitos dos trabalhadores, por isso, vamos debater junto a empresa para que o impacto seja o menor possível”, reforça Strano sobre a conjuntura.
Membro da Comissão de Fábrica da Volks, o sindicalista Júlio Henrique da Silva, participará dos debates. “A partir de amanhã (hoje) daremos continuidade nas conversas. Ainda não há qualquer novidade sobre o assunto”, conclui.
QUEDA DE 50% NAS VENDAS – Balanço oficial divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indica queda de 50,5% no volume de veículos produzidos no primeiro semestre deste ano. Afetado pela pandemia de covid-19, o total de veículos fabricados no período foi de 729,5 mil unidades.
O balanço também separa os registros de junho, quando a produção foi de 98,7 mil unidades, 129,1% maior que a de maio e 57,7% menor que a de junho de 2019. Segundo a Anfavea, a partir desses resultados, é possível prever que o ano será encerrado com um total aproximado de 1,63 milhão de unidades, considerando-se veículos comerciais leves, caminhões e ônibus.
Para a presidência da Anfavea, o volume estimado, 45% menor do que o de 2019, é “dramático, mas muito realista”, tendo em vista os problemas que a pandemia causa no cenário econômico. Acrescentou que a crise no setor automobilístico poderá ser revertida em 2025 e que somente irá aproximar os níveis de desempenho aos atingidos em 2019.



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