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Indústria de máquinas e equipamentos registra queda de 12,4% na receita

Segundo trimestre do ano encolheu 17,4% na comparação com 2019; setor emprega cerca de 1.600 trabalhadores em São Carlos

05/08/2020 07h55 - Atualizado há 6 anos Publicado por: Redação
Indústria de máquinas e equipamentos registra queda de 12,4% na receita Foto: José Paulo Lacerda / CNI / AGÊNCIA BRASIL

O setor de máquinas e equipamentos teve queda de 12,4% na receita líquida do mês de junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em maio, a redução foi de 14,1% e, em abril, foi de 25,6%. Com isso, o segundo trimestre do ano encolheu 17,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado de janeiro a junho, o faturamento do setor encolheu 8,5%.

Este segmento reúne cerca de 25 empresas em São Carlos e emprega entre 1.500 e 1.600 pessoas em São Carlos. A situação é crítica. “Minha empresa ficou em férias coletivas de 30 dias e voltou a atuar no último dia 29 de julho. Estamos tentando produzir alguma coisa em agosto e setembro. Já para outubro não tenho nada para produzir”, afirma o empresário, diretor da Prominas e ex-diretor regional do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Carlos, Ubiraci Moreno Pires Corrêa.

Segundo Ubiraci o setor de máquinas tem que trabalhar com quatro meses de prazo para se movimentar. “É necessário buscar matéria-prima e usar estratégias que levam tempo. Trabalhar com dois meses de antecedência apenas é muito complicado”.

Segundo ele, a única saída é o governo promover um choque keynesiano gastando para movimentar a economia. “Não vejo outra solução”.

Apesar da redução em junho, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) ressalta que os últimos resultados têm apontado para uma queda menos brusca da receita, com apoio no faturamento de vendas no mercado interno.

“Ainda que a receita total nos últimos três meses tenha retraído, esses resultados têm sido menos negativos a cada mês por conta das receitas internas. Em junho, as receitas internas encolheram 10,1% na comparação interanual, queda menos densa que a observada em maio (14,9%) e abril (26,5%)”, divulgou a entidade. A sequência desses resultados negativos acarretou na queda de 17% das receitas internas no segundo trimestre, neutralizando o avanço de 2,6% nos primeiros três meses do ano. Com isso, as receitas de vendas no mercado doméstico acumulam queda de 7,8% até junho 2020.

Exportação

Já as receitas de exportação do setor de máquinas e equipamentos apresentaram forte queda pelo quarto mês consecutivo. Em junho, as exportações em dólar caíram 35,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, após queda de 34,7% em maio e de 41,6% em abril. Segundo a entidade, o setor já apresentava dificuldades na competição externa mesmo antes da pandemia: as exportações encolheram 37,3% no segundo trimestre e 12,8% no primeiro trimestre. No acumulado de janeiro a junho, a exportação caiu 25,4%.

No acumulado de janeiro a junho, as vendas em dólar para os Estados Unidos caíram 31,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. “Como este destino representa cerca de 30% das vendas totais, tal queda intensa impactou consideravelmente as receitas do setor”, avaliou a Abimaq. Na mesma comparação, as vendas para os países da América Latina caíram 23,9%. Atualmente, a América Latina representa 32,2% das exportações totais. Entre janeiro e junho as exportações para a Europa também recuaram 21,7%.

Em junho, as importações de máquinas e equipamentos pelo Brasil também recuaram, registrando queda de 32,5% na comparação anual. Essa foi a queda mais forte dos últimos três meses. O segundo trimestre do ano fechou 26,5% abaixo do mesmo trimestre do ano passado. No entanto, como o primeiro trimestre havia registrado uma forte alta, as importações acumularam saldo positivo de 6,2% entre janeiro e junho de 2020.

Ubiraci cita que no caso de São Carlos, de 85% a 90% das máquinas produzidas vão para o mercado interno. “A exportação é muito pequena. No Caso da Prominas , nosso mercado externo é a América Latina. E nesta região os países estão numa pindaíba pior que a nossa”, resume ele.

Segundo a Abimaq, por consequência do baixo nível de operação da indústria de máquinas e equipamentos, o mercado de trabalho registrou queda nos empregos. Em junho, o setor registrou 295,8 mil trabalhadores, uma redução de 3,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. De janeiro e junho, o setor demitiu 6,6 mil empregados, após ter iniciado o ano com 3,1 mil contratações.

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