Segunda maior deflação do real pressiona juros

Taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses desacelerou de 2,40% em abril para 1,88% em maio
Em meio à pandemia do novo
coronavírus, os preços da economia voltaram a recuar pelo segundo mês
consecutivo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saiu de uma
deflação de 0,31% em abril para uma queda de 0,38% em maio, o menor resultado
em mais de duas décadas, informou o IBGE.
“Essa é a segunda maior deflação do Plano
Real”, ressaltou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de
Preços do IBGE.
Com um cenário inflacionário tão comportado, o
Itaú Unibanco espera que o Banco Central (BC) corte em 0,75 ponto porcentual a
taxa básica de juros, a Selic, na reunião de junho, para 2,25% ao ano até o fim
de 2020.
“A inflação não é um risco para a política
monetária, olhando esse cenário benigno para 2020 e a propagação para
2021”, resumiu a economista Julia Passabom, do Itaú Unibanco.
A queda nos preços dos combustíveis e das
passagens aéreas puxou a deflação em maio, mas as famílias também gastaram
menos com habitação, vestuário, saúde e despesas pessoais. Os alimentos subiram
menos, embora os preços ainda persistam em patamar elevado. Cenoura e frutas
ficaram mais baratas, enquanto cebola, batata-inglesa, feijão carioca e carnes
pesaram mais no orçamento. “O nível de preços continua alto, e ficou um
pouquinho mais alto. Essa demanda elevada também ajuda a segurar os preços lá
em cima”, lembrou Pedro Kislanov, gerente do IPCA do IBGE.
A taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses
desacelerou de 2,40% em abril para 1,88% em maio, ante uma meta de 4%
perseguida pelo BC ao fim deste ano. O resultado de maio foi o mais baixo desde
janeiro de 1999, quando a taxa em 12 meses estava em 1,65%.
“De uma maneira geral, a deflação em maio e
abril mostrou a pressão da recessão causada pelas medidas de distanciamento
social nos preços de serviços e produtos. Mas, como parece que abril foi o
fundo do poço para a atividade, já trabalhamos com expectativa de uma taxa positiva
em junho (no IPCA do mês)”, afirmou o economista sênior do Banco MUFG
Brasil, Carlos Pedroso
Para Kislanov, os últimos reajustes dos
combustíveis nas refinarias e a flexibilização das medidas de isolamento social
podem pressionar a inflação em junho. “Em relação ao isolamento social, a
gente tem de aguardar para ver, pode ser que haja maior movimentação na
economia e que possa se refletir nos preços de serviços”, disse.
De janeiro a maio, os combustíveis contribuíram
para conter o IPCA. A gasolina acumulou uma queda de preços de 14,64% nos cinco
primeiros meses do ano de 2020. O etanol recuou 18,14% no período, enquanto o
óleo diesel diminuiu 14,43%.
O economista Vitor Vidal, da corretora XP
Investimentos, acredita que a alta dos preços de petróleo puxada pela retomada
econômica no mundo, e, em consequência da gasolina, é o maior risco de pressão
sobre a inflação neste ano. No entanto, ele avalia que essa recuperação da
economia ainda deve ser lenta, mantendo os preços em níveis bastante baixos.



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