3 perguntas para…

Em tempos de distanciamento social, o padre Jonas Rafael da Silva fala para nossa coluna em nossas pequenas entrevistas.
1- Como você
enxerga o futuro da Igreja ou celebrações religiosas pós-pandemia?
O Espírito Santo é o responsável pelo dinamismo da Igreja. Nesse tempo de
pandemia, ele tem soprado novos ares por conta dos novos desafios que temos
enfrentado. Acredito que as celebrações religiosas, no pós-pandemia, jamais
conseguirão se desvencilhar de sua transmissão através das diversas mídias
sociais. Descobrimos quão importante é a proximidade que elas nos possibilitam.
Acredito que isso seja positivo. Mas temo que essas proximidades pelas
plataformas digitais sejam supervalorizadas em detrimento do encontro pessoal,
o aperto de mão e o abraço, que hoje estão suspensos, tomara que só por um
intervalo de tempo.
É preciso cautela. Uma breve e simples reflexão que aprendemos com a
antropologia teológica é que o ser humano é sujeito e pessoa. Enquanto sujeito
é protagonista de suas atitudes. Enquanto pessoa é ser de responsabilidade.
Isso tem muito a nos dizer: nós somos o resultado das escolhas fazemos,
sobretudo nesse tempo. Assim, o futuro da Igreja, a Igreja que somos nós,
depende da maneira como nós iremos nos comportar. Sem desespero, com prudência
e temperança, sairemos melhores desse contexto de pandemia. Portanto, nada de
colocar a culpa na pandemia! É evidente que ela é responsável por muitas
mudanças, isso é inegável, mas não podemos deixar de assumir a nossa
responsabilidade. Isso se estende a todos os setores da sociedade.
2- O que você sempre quis fazer e só agora na quarentena conseguiu encontrar
tempo?
Olha, a minha vida não mudou muito. Na verdade, intensificaram-se os trabalhos,
sobretudo para se adequar aos novos cenários da evangelização. Eu achei
positiva a possibilidade de me vestir de maneira mais despojada. Como padre, é
importante que eu utilize o clergyman – camisa clerical – ou mesmo uma roupa
mais social. Nesse tempo, as estruturas ficaram um pouco mais pesadas na
quantidade e até na qualidade dos trabalhos, mas a maneira de realizá-los,
comumente, possibilitou mais simplicidade e despojamento.
3 – Com qual saldo positivo você vai sair dessa fase de quarentena?
Eu acredito que tudo é sempre aprendizado. Precisamos aprender louvar a Deus em
todos os momentos, nos bons e ruins, nos dias de alegria, mas também nos dias
de tristeza. Eu agradeço a Deus pela possibilidade de aprender a louvá-lo e
anunciá-lo de maneira nova. Também agradeço por aprender a viver a distância de
maneira diferente. Enfim, agradeço pela oportunidade de, apesar de minhas
fraquezas e limitações, conseguir levar um pouco de esperança ao coração do meu
povo da paróquia de Nossa Senhora de Fátima.



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