Comércio de São Carlos resiste às enchentes e à pandemia

Apesar do prejuízo de mais de R$ 2,5 milhões com as enchentes e o fechamento da quarentena, no máximo 15 lojas baixaram as portas
Apesar do prejuízo logo no início de 2020 com as enchentes dos dias 4 e 12 de janeiro e também da quarentena do novo coronavírus que obrigou as lojas a ficarem praticamente sem atividades durante mais de 60 dias, o comércio varejista de São Carlos sobreviveu. Um levantamento preliminar realizado pela Acisc (Associação Comercial e Industrial de São Carlos) aponta que das 120 lojas atingidas pelas enchentes, com prejuízo de aproximadamente R$ 2,5 milhões, pouco mais de 10% (entre 10 e 15 lojas) encerram as atividades.
Outras portas fechadas na região central se devem à mudança de localização de algumas lojas por razões financeiras ou estratégicas e fechamento de uma unidade de um conjunto de duas ou mesmo de um grupo de lojas.
A Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) chegou a prever cerca de 4.000 demissões na economia de São Carlos por conta da crise da Covid-19. O Caged revelou porém, o fechamento de menos de 1.800 vagas, o que revela uma situação preocupante, mas bem menos catastrófica.
“O fato é que nosso varejo continua firme e forte e, principalmente, de pé. Isso devido à fibra e à coragem de nossos lojistas que enfrentaram com muita força e coragem os problemas deste ano que não foram poucos. Quem vê as cenas das enchentes do início do ano ficava com a sensação que seria o fim do comércio na região central, mas, graças a Deus, isso não aconteceu e não vai acontecer. Nosso comerciante é um herói de manter seu negócio vivo gerando emprego e renda”, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) e vice-presidente da Fecomércio, Paulo Gullo.
VENDENDO MÁSCARAS – Edilson Brochini, da Companhia do Rock, que atua na área de moda rock em roupas, calçados e acessórios e presentes, foi uma das vítimas das enchentes do Verão de 2020. Ele relata que as chuvas foram tão intensas que arrebentaram a porta de aço e levaram todo o estoque. Depois disso ele se reergueu, renegociou valor do aluguel e também renegociou com fornecedores e voltou a atuar logo que a quarentena foi flexibilizada. “Foi um período muito difícil. Com o retorno do comércio estamos num período de observação do movimento. Não tenho números do prejuízo, mas foi muito grande. Nosso chamariz de vendas hoje tem sido as máscaras da moda rock”, explica ele.
Há nove anos na região da baixada do Mercado Municipal com a loja Pink Mulher, Mariana Mota Camelo, afirma que por trabalhar com estoque enxuto, não teve tanto prejuízo com as enchentes. Por outro lado, ela conta que durante a quarentena da Covid-19 teve que reinventar o negócio. “Minha loja é de roupas femininas. Durante o período em que estive com as portas fechadas a saída foi usar as redes sociais, como Facebook e Whatsapp para fazer publicidade e vender nossos produtos“, ressalta. Mariana destaca que teve que renegociar o aluguel para continuar funcionando.
FELIZ NO NOVO LOCAL – Há 42 no comércio de São Carlos, Santo Antônio Zaccarin, da loja Toninho Calçados, anunciou no início do ano que depois das enchentes deixaria o prédio na esquina das Ruas 9 de Julho e Geminiano Costa, depois da enchente do dia 12 de janeiro. “Foram três enchentes seguidas, nos dias 2 de janeiro, 4 de janeiro e 12 de janeiro . Depois da última decidi mudar de local. Reinaugurei a loja dia 7 de março e no dia 20 de março começou a quarentena por causa do novo coronavírus. São mais de 70 dias de inatividade. Precisamos lutar muito e perseverar”, relata Zaccarin.
Ele afirma que em seu novo endereço, na parte alta da Rua General Osório, está livre das enchentes. “Se soubesse que teria tanto sucesso neste local teria mudado de local muito antes. Meu consumidor me acompanhou e eu nem imaginava que tinha todo este prestígio. Meu medo é que os casos aumentem muito e que venham a fechar tudo de novo”, conclui ele. Uma das decepções do veterano lojista é não poder inaugurar seu “arraial”, onde tradicionalmente entre maio e julho, serve quentão, pipoca e vinho quente à clientela. “Mas vamos inaugurar este arraia nem se a festa for Agustina, Setembrina, Outobrina e etc. Nem se for e dezembro vamos receber os fregueses para deliciar nosso quentão”, garante o lojista.
O presidente da Acisc, José Fernando “Zelão” Domingues, afirma que perto do impacto que o setor do varejo sofreu com as crises, a reação foi ótima, gerando empregos e renda, apesar de todas as dificuldades que o setor enfrenta atualmente. “O momento é complicado mesmo. Lutamos muito para podermos ter a flexibilidade atual e as notícias são de boas vendas neste momento. Temos que tomar todos os cuidados para não termos retrocesso. Além disso, a Acisc sempre oferece apoio aos lojistas, com, novas ferramentas, como, por exemplo, o aplicativo da Acisc com o delivery do comércio que atua com este tipo de venda e em breve vamos lançar uma plataforma virtual com novo aplicativo de vendas e pagamento on line chamado ‘Compre em São Carlos’, tudo feito pelo smartphone. Temos que estar antenados com a modernidade e antenados com novas ferramentas para enfrentarmos estas crises”, completa ele.






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