Concentração bancária cai para 81%

Bancos esperam expansão de 2,8% no saldo do crédito para empresas
A concentração bancária caiu levemente no ano passado,
informou nesta última quinta-feira (04) o Banco
Central (BC), através do Relatório de Economia Bancária de 2019.
No ano passado, os cinco maiores bancos do país – Banco do Brasil, Itaú
Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander – detinham 81% dos
ativos totais do segmento bancário comercial. No final de 2018, esse percentual
era 81,2%.
Os cinco maiores bancos eram responsáveis por 83,4% dos depósitos no final do
ano passado, contra 83,8%, em 2018. No caso do crédito, esse grupo respondeu
por 83,7% do total das operações em 2019, contra 84,8% do ano anterior.
Segundo o relatório, houve redução das participações dos bancos públicos
federais – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“A redução da participação dos principais bancos públicos federais foi, em
alguma medida, acompanhada por um aumento na concentração entre as instituições
privadas, mas não o suficiente para aumentar a concentração total”, disse o BC.
Expectativas para o crédito
Em pesquisa junto a instituições financeiras sobre as condições de crédito,
realizada entre 27 de abril e 5 de maio, o Banco Central mostra que os bancos
esperam crescimento de 2,8% no saldo do crédito para as grandes empresas este
ano, representando uma recuperação da queda observada em 2019.
Antes da pandemia da covid-19, a primeira pesquisa, realizada entre 2 e 10 de
março, indicava expansão de 5%. De acordo com o BC, a expectativa de expansão é
decorrente da busca por liquidez por essas empresas e da escassez dos recursos
externos.
No crédito para as micros, pequenas e médias empresas, a mediana
(desconsiderando os extremos nas projeções) das expectativas são de crescimento
de 5% (6,5% na primeira coleta), semelhante ao observado em 2019.
Segundo o relatório, é no crédito para pessoas físicas onde há queda
significativa nas expectativas. A estimativa para o crescimento no saldo do
crédito para consumo passou de 12% na primeira pesquisa para 6,2%, na segunda.
No crédito habitacional, a expectativa é de queda no saldo de 0,3%, ante
crescimento de 9% na primeira coleta do ano.
A expectativa da taxa de inadimplência é de 2,8% para grandes empresas, 4,9%
para as micros, pequenas e médias empresas, 5,9% para consumo e 2,3% para
crédito habitacional para pessoas físicas, neste ano.
Projeção
A projeção do BC para a evolução do saldo de crédito bancário em 2020 passou
dos 4,8%, divulgados na edição de março do Relatório de Inflação, para
7,6%.
O Banco Central costuma divulgar a projeção para o crédito trimestralmente no
Relatório de Inflação, mas devido à mudança de conjuntura causada pela pandemia
de covid-19, optou por antecipar a projeção.
“O aumento na estimativa reflete a ampliação do volume de empréstimos desde
meados de março, repercutindo os impactos da pandemia. Em especial, a
aceleração de concessões repercute, principalmente, a busca por recursos por
parte de empresas face à redução dos fluxos de caixa. Ressalte-se,
adicionalmente, que o movimento também está influenciado pelos efeitos das
medidas que abrangeram o mercado de crédito, buscando mitigar [reduzir] danos
econômicos causados pelo surto de covid-19”, disse o BC, no relatório.



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