Petrobras pode sobreviver com barril a US$ 15

Resultados financeiros do trimestre apontam prejuízo de R$ 48,5 bi
A Petrobras tem capacidade de atravessar a atual crise
econômica mundial ainda que o preço do barril do petróleo caia a US$ 15. A
afirmação é do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que participou
de coletiva de imprensa pela internet na última sexta-feira (15). Ele disse
que, na sua visão, pelos próximos meses o cenário será de dificuldades. Na
quinta-feira (14), a companhia divulgou os resultados financeiros do primeiro
trimestre do ano, que apontaram para um prejuízo de R$ 48,5 bilhões.
“Nós traçamos vários cenários. O mais provável é de uma recuperação lenta, de
uma recessão profunda. Têm vários fatores que contribuem para isso. O
desemprego em massa, que está acontecendo no mundo, o aumento rápido da
alavancagem financeira de famílias, empresas e governos. As incertezas geradas
pela própria covid [novo coronavírus (covid-19) ], que desaparecerão somente
quando se tiver uma vacina. Existe sempre a probabilidade de haver uma segunda
onda, tal como aconteceu com a gripe espanhola, e isso limita a atividade
econômica”, disse Castello Branco.
Segundo ele, o período de quarentena imposto a quase todos os países do mundo
vai gerar mudanças de comportamento profundas, o que acabará impactando, direta
ou indiretamente, nos resultados da companhia.
“Adicionalmente, nós temos que considerar que este período de quarentena que as
pessoas estão passando, em vários países do mundo, contribuirá para mudanças de
hábitos. Por exemplo, a utilização mais intensiva da digitalização em
detrimento da maior mobilidade. As empresas precisarão de menos viagens, de
menos áreas de escritórios. E não podemos deixar de considerar a tendência
anterior, que era de estímulos a inovações para a substituição de combustíveis
fósseis no mundo”, disse.
Preço do petróleo
Para o presidente da Petrobras, essas mudanças poderão levar o mercado a
trabalhar com valores ainda menores do barril de petróleo, da média praticada
atualmente, de US$ 32 o barril do tipo Brent.
“Se já levarmos isso em conta, então esse novo cenário nos fez rever a
posição anterior e consequentemente prever preços mais baixos. A Petrobras pode
sobreviver hoje com preços de petróleo tão baixos como US$ 15 [o barril]. Nós
temos musculatura para fazer isso, temos caixa, temos custos baixos. Mas nós queremos
gerar muito mais valor. E acreditamos que com a aceleração da execução da
estratégia traçada em janeiro de 2019, com a aceleração da transformação
digital, nós seremos capazes de, com a dedicação de nossos profissionais e com
os nossos ativos de classe mundial, gerar muito valor no futuro. ”
Castello Branco foi questionado sobre o planejamento da venda de
refinarias e disse que, até o momento, não houve nenhuma desistência por parte
dos potenciais compradores. “Eu vejo este projeto de forma otimista. Ele está
de pé. Nenhum interessado veio a nós dizer que estava desistindo. E nós estamos
confiantes que, pelo menos até o final do ano, alguns acordos de compra e venda
sejam fechados, ficando a conclusão da transação para 2021. Nós continuamos
trabalhando, nossa equipe de gestão de portfólio continua muito ocupada, não
está de férias. Ainda este ano teremos boas notícias para dar”, adiantou.
Segundo Castello Branco, não houve qualquer mudança no plano estratégico
da Petrobras. Ele fez questão de dizer que não haverá demissões em massa na
companhia.
“Quero reafirmar que demissões em massa não existiram, não existem e não
existirão. Não houve hibernação de campos terrestres, outra mentira que vem
sendo divulgada. Continuamos a seguir a paridade de preços de importação, com
respeito à precificação de combustíveis. Estamos de pé e graças ao empenho de
nossas equipes estamos trabalhando ativamente para a resiliência da Petrobras e
sua recuperação saudável após a essa crise”, concluiu.
Distribuição de dividendos
A diretora Financeira e de Relacionamento com Investidores, Andréa
Marques de Almeida, disse que é uma possiblidade o investidor não contar com
distribuição de dividendos relativos a 2020.
“Falando em dividendos, é difícil falar sobre os resultados de 2020 como
um todo, dado que estamos no primeiro trimestre. Mas se o cenário continuar
semelhante ao que a gente está vivendo agora, provavelmente a gente não vai ter
dividendos, se tudo continuar como está atualmente. Porque de fato é difícil
recuperar esse impacto que a gente teve agora, no primeiro trimestre. Se o
cenário mudar, a gente vai avaliar”, disse Andrea.
O relatório completo com os resultados do primeiro trimestre de 2020
pode ser acessado na página da companhia na internet.



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