Setor de serviços gera quase 4.500 empregos em dez anos

Economista confirma migração de postos de trabalho da indústria para a área de serviços e prevê uma radicalização da tecnologia para uma economia mais eficiente
O setor de serviços de São Carlos gerou quase 4.500 mil novos postos de trabalho nos últimos dez anos. Entre 2010 e 2019, de acordo com o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) a diferença entre todas as contratações do segmento de serviços apresentou saldo positivo de 4.474 postos de trabalho.
O CAGED é um índice da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia e que leva em conta apenas os trabalhadores que fazem parte do mercado formal, ou seja, que tem um vínculo legal com alguma empresa através do registro na carteira profissional, com todos os direitos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
De acordo com estes dados levantados pelo PRIMEIRA PÁGINA, os três melhores anos para a área de serviços em São Carlos foram entre 2011 e 2013. Em 2011 houve a geração de 1831 novas vagas. Em 2014 outros 1426 empregos foram criados. 2013 registrou a geração de 906 postos de trabalho. Em 2015 e 2016 os números foram negativos, com o corte de 1.297 vagas. Nos demais anos houve saldos positivos do CAGED, embora mais modestos.
O avanço da geração de postos de trabalho em serviços contrasta com o corte de vagas no setor industrial. Na área fabril houve o corte de cerca de 3.000 empregos entre 2010 e 2019.
O economista Paulo Cereda afirma que a migração dos postos de trabalho do segmento industrial para o de serviços ocorre por vários fatos. “A redução dos postos de trabalho na indústria ocorreu no Brasil como um todo e parte disso é consequência da política cambial a partir de 2008. O real muito valorizado fez as empresas industriais perderem competitividade no mercado global, principalmente com relação a custos. O ambiente empresarial brasileiro é complicado. Tivemos um processo de desindustrialização. Outro ponto é que quanto mais competitivo for o ambiente industrial, mais as empresas buscam reduzir custos, o que forçou a transformação digital dentro das indústria com a indústria 4.0 e que prevê um processo radical de automação. Depois da pandemia, este processo de substituição de mão de obra por tecnologia vai continuar, pois é inevitável. ”, explica ele.
Cereda ressalta que o segmento de serviços aumenta seu tamanho devido à complexidade da sociedade atual. “Também se deve ao tamanho dos municípios e há um crescimento natural por conta da substituição das vagas”, comenta.
TENDÊNCIA
Economista aposta em serviços puxando o emprego
A capacidade do setor de serviços para comandar a geração empregos veio para ficar. O setor de serviços envolve desde um entregador de pizza até um neurocirurgião que atua num grande hospital de uma capital brasileira! ”É muito amplo, envolve hotéis, turismo e etc. Mas o segmento de serviços também é impactado pela transformação digital, que nada mais é do que transformar o processos de gestão. A transformação digital torna, através da tecnologia, o processo de gestão, de produção, de entrega de valor mais eficiente e também melhora a relação da empresa com o consumidor final, torna esta relação mais azeitada e mais eficiente”. NOVIDADES – Novos modelos de negócio devem surgir no futuro. “O Uber é uma nova modalidade de negócios que surgiu por conta do uso do smartphone. Não sei se ele existirá no futuro, quando os carros serão autônomos guiados por GPS. Dizer que o vai permanecer ou não é muito futurologia, mas os empregos serão outros. E o setor de serviços vai responder pela sua maioria”, diz cereda.
O avanço tecnológico radical, segundo o economista, se dará principalmente em São Carlos que está se tornando cada vez mais um centro de inovação tecnologia. “Várias startups surgem em São Carlos com soluções tecnológica. Elas estão tornando São Carlos um ponto de referência. Há quem diga que o ambiente de inovação do Brasil, muita gente já coloca São Carlos como o novo Vale do Silício. Isso é muito importante para o município. As coisas mudarão e muito. ”
FUTURO
Novo mundo gerará mais de 400 milhões de empregos
Dentro de duas décadas, transformações profundas no setor da construção, da saúde, da energia e também da produção de alimentos gerarão mais de 400 milhões de vagas no mercado de trabalho em todo o mundo. Quem garante isso é o economista Paulo Cereda.
“Do tempo de vista de empregos, há um estudo da McKinsey, que é uma das maiores consultoras do mundo e que fez pesquisa com várias empresas. As informações apontam que nos próximos 20 anos, no mundo, serão geradas mais de 250 milhões de vagas na construção civil. Isso ocorrerá devido à uma nova configuração da estrutura meio urbano, com novas ruas, novos pontos de estacionamentos, novas escolas, novos prédios públicos, novas empresas e etc. Será construída toda uma estrutura substituindo a atual. Neste segmento a tecnologia não substitui tão facilmente a mão de obra humana como se dá em outros setores”, comenta ele.
A McKinsey, de acordo com Cereda, também prevê uma geração intensa de empregos na área de saúde. Isso vai ocorrer devido ao o envelhecimento da população em todo o planeta. Este fenômeno gerará, no planeta, até 80 milhões de vagas.
Um total de mais de outras 60 milhões de vagas virão da geração, transmissão e armazenamento de energia elétrica, com energia limpa para mover automóveis , aparelhos tecnológicos, empresas e atividades produtivas. “O desafio é geração de energia limpa, transmissão sem perda e armazenamento desta energia. Por exemplo, vamos gerar energia solar durante o dia e teremos baterias inteligentes para usarmos esta energia durante a noite. Isso deve mexer com o modelo energético do mundo todo, com forte impacto no setor petrolífero”, destaca o economista.
A produção de alimentos também deve mudar profundamente nos próximos anos. “A Vantagem de são Carlos é que as universidades nos abastecem com pesquisas, com profissionais competentes que vão colocar gente na esteira da novidade. E para quem é empresário hoje, tem comércio e serviços, a transformação digital não vai ser, ela já é realidade. Não será no futuro. Com a crise da Covid-19, se acelerou a omnichannel, todos os canais de venda vão ter um único acesso para nossos colocar como digitais, mundiais e acima de todas as fronteiras”, ressalta ele.
Otimista, Cereda pede às pessoas para apostarem neste novo mundo sem medo. “ Tudo isso, ao invés de nos dar medo, deve nos encher de esperança e nós podemos nos capacitar para chegar lá.”
Os saldos de empregos do setor de serviços são-carlense segundo o CAGED
2010 + 230
2011 + 1831
2012 +1426
2013 +906
2014 +129
2015 -528
2016 -769
2017 +302
2018 +595
2019 +352.





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