Contas públicas devem fechar 2020 com rombo próximo de R$ 600 bi, diz Tesouro

Com os gastos extras para o
combate ao novo coronavírus, as contas do setor público consolidado (União,
Estados, municípios e empresas estatais) devem fechar 2020 com rombo próximo a
R$ 600 bilhões, o equivalente a cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB). A
estimativa foi divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Tesouro Nacional.
Se confirmado, esse será o maior valor da série
histórica do BC, iniciado em 2001. O déficit primário acontece quando as
despesas ficam acima das receitas, sem contar os gastos com juros da dívida
pública.
Em todo ano passado, as contas do setor público
consolidado registraram um déficit primário de R$ 61,872 bilhões em 2019 (0,85%
do PIB).
Para este ano, somente o governo tinha de
atingir uma meta de déficit primário até R$ 124,1 bilhões.
Entretanto, com o decreto de calamidade pública,
proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso Nacional por conta da pandemia
do coronavírus, não será mais necessário atingir esse valor.
De acordo com o governo, esse rombo nas contas
públicas acontecerá por conta das despesas autorizadas para combater a crise do
coronavírus, quer seja medidas na área de saúde, ou para evitar o aumento do
desemprego, assim como a perda de arrecadação decorrente da retração da
economia.
“Não se pode falar que o governo não está
reagindo à crise do coronavírus porque o déficit [das contas públicas] vai ser
expressivo”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida.
Aumento da dívida pública
O Tesouro Nacional explicou que, com o forte
aumento do rombo fiscal, haverá “elevação significativa do endividamento
público” e isso “requererá um esforço fiscal do país ainda maior [por
meio, por exemplo, da contenção de gastos] no período posterior ao da
crise”.
“A manutenção do processo de consolidação
fiscal, por meio da regra do teto dos gastos, é fundamental para garantir a
solvência das contas públicas e, por consequência, a sustentabilidade das políticas
públicas tão necessárias no país”, avaliou a instituição.
Números do projeto da Lei de Diretrizes
Orçamentárias (PLDO) de 2021, já enviado ao Congresso Nacional, mostram que o
governo voltará a restringir despesas públicas a partir de 2021 – impactando as
chamadas despesas discricionárias (aquelas não obrigatórias, que podem ser
definidas livremente pelos ministérios).
Contas do governo
Em março, mês que já foi parcialmente impactado
pelo novo coronavírus, as contas somente do governo registraram déficit
primário de R$ 21,171 bilhões, informou o Tesouro Nacional. Com isso, houve
pequeno aumento frente ao mesmo mês do ano passado (-R$ 21,087 bilhões).
No acumulado do primeiro trimestre deste ano, as
contas do governo apresentaram déficit primário (receitas maiores do que
despesas, sem contar juros da dívida) de R$ 2,908 bilhões. Com isso, houve
melhora frente ao mesmo período de 2019 – quando o déficit das contas do
governo somou R$ 9,288 bilhões.
O secretário do Tesouro observou, porém, que
essa melhora nas contas do governo no primeiro trimestre deste ano está relacionada
com uma mudança no cronograma de pagamentos dos precatórios (cobranças de
dívidas do poder público, por pessoas físicas ou empresas, que já têm
condenação judicial definitiva)
“Não houve pagamento de precatórios em
março [deste ano]. Se tivesse ocorrido, [o déficit nas contas do governo de]
janeiro a março seria pior do que o ano passado”, explicou Mansueto.
Segundo ele, o pagamento de precatórios,
estimado para 2020, está em torno de R$ 10 bilhões.



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