Vendas do Tesouro Direto têm melhor março da história

Por causa da crise, recompras batem recorde e estoque cai
A venda de títulos públicos a pessoas físicas somou R$ 3,019
bilhões em março, informou na última sexta-feira (24) o Tesouro Nacional. O
valor vendido por meio do programa Tesouro Direto representou alta de 27,6% em
relação a março do ano passado, atingindo o melhor resultado para o mês.
Apesar da subida nas vendas, as recompras bateram recorde, atingindo R$ 3,799
bilhões no mês passado. Esse é o maior valor recomprado pelo Tesouro desde a
criação do programa, em 2002. Por causa da crise econômica gerada pela pandemia
de coronavírus, muitos detentores de títulos decidiram se desfazer de papéis
que se desvalorizaram com as oscilações do mercado.
O número de investidores ativos somou 1.213.807, mas poucas pessoas físicas
aplicaram em títulos públicos em março. No mês passado, apenas 408
participantes aderiram ao programa, conta 2.276 novos investidores registrados
em fevereiro. O número de investidores cadastrados – ativos e não ativos –
totalizou 6.512.580 pessoas.
No mês passado, os títulos mais vendidos foram vinculados à taxa Selic (juros
básicos da economia). Esses papéis concentraram 47,2% das vendas em março. Em
segundo lugar, vieram os papéis corrigidos pela inflação oficial pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que responderam por 33,2% das
vendas.
Em terceiro, ficaram os títulos prefixados (com juros definidos
antecipadamente), que responderam por 19,6% das vendas. Os investimentos de
menor valor continuaram a liderar a preferência dos aplicadores. As vendas
abaixo de R$ 1 mil concentraram 60,9% do volume aplicado no mês.
Com o resultado de março, o estoque de títulos públicos aplicados no Tesouro
Direto teve leve queda de 0,61% em relação a fevereiro, alcançando R$ 58,44
bilhões. Esse foi o terceiro mês seguido de queda no estoque do programa. A
variação do estoque representa a diferença entre as vendas e os resgates, mais
o reconhecimento dos juros que incidem sobre os títulos. Além das recompras
recordes em março, a queda dos juros de alguns papéis, afetados pela
instabilidade no mercado, contribuiu para o recuo no estoque no mês passado.
O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar esse tipo de
aplicação e permitir que pessoas físicas possam adquirir títulos públicos
diretamente do Tesouro, via internet, sem intermediação de agentes financeiros.
O aplicador só tem de pagar uma taxa à corretora responsável pela custódia dos
títulos. Mais informações podem ser obtidas no site do Tesouro Direto.
A venda de títulos é uma das formas que o governo tem de captar recursos para
pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro Nacional se compromete
a devolver o valor com um adicional que pode variar de acordo com a Selic,
índices de inflação, câmbio ou uma taxa definida antecipadamente no caso dos
papéis prefixados.



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