Mercado imobiliário cai 70%

Apesar da utilização das ferramentas digitais e outras tecnologias, setor consegue movimentar apenas 30% de sua capacidade
Depois de anos andando de ré ou em primeira marcha, a
demanda por imóveis finalmente ia acelerar em 2020. Pelo menos é o que
esperavam economistas e especialistas no segmento.
As empresas do setor imobiliário estavam animadas para viver um novo ciclo e
recuperar as vendas reprimidas e pequenos investidores podiam se dar bem
investindo em fundos imobiliários ou em ações de incorporadoras e shoppings.
Mas o coronavírus levou a uma desaceleração brusca e fez os motores apagarem.
A aceleração viria embalada por uma melhora na confiança de consumidores e no
nível de renda a passos lentos. Os motores estavam aquecendo, turbinados pela
retomada do crédito imobiliário e pela queda na taxa básica de juros, a Selic,
que fez as taxas de juros dos financiamentos caírem para os menores níveis da
história.
Porém, a crise do novo coronavírus e a quarentena imposta derrubaram o mercado
imobiliário. O empresário Italinho Cardinali, diretor de uma das maiores
imobiliárias da região, a Cardinali Imóveis afirma que enfrenta uma queda de
70% nas locações e vendas de imóveis. “Estamos operando com apenas 30% da nossa
capacidade. Temos rês unidades em São Carlos, uma em Araraquara e outra em
Ibaté, empregando 160 pessoas”, ressalta ele.
Italinho afirma que a crise promoveu uma aceleração da utilização das redes
sociais e outras ferramentas digitais, como a videoconferência nos negócios.
“As vendas e locações que conseguimos fazer hoje são todas através da internet,
que se tornou fundamental neste momento”, explica. Segundo ele, em 26 anos à
frente da imobiliária, esta é a primeira vez que enfrenta uma crise deste
tamanho.
Otimista, Italinho, que também é economista, ressalta que toda crise gera
muitas oportunidades. Por outro lado, ele acredita que a recuperação da
economia brasileira já começará no segundo semestre. “O Brasil vinha num
aquecimento gradual de sua economia e esperamos o início de uma recuperação
ainda a partir de julho”, diz ele.
O preço médio do aluguel residencial, que reage mais rápido à melhora da
economia do que o valor médio de venda, já mostrava a aceleração do mercado. Em
2019, pela primeira vez desde 2013, o preço médio de locação subiu mais que a
inflação. A alta real, descontando a inflação, foi de 0,60% no ano, segundo o
Índice FipeZap.
O valor médio de venda ainda tinha sofrido queda real de 3,97% em 2019, mas era
esperada alta no preço dos imóveis para este ano, alinhada com a inflação.
Agora, tudo ficará em ponto morto, dizem os economistas. A crise provoca
renegociação de aluguéis, redução drástica na compra de imóveis, estoques
maiores nas construtoras e menos lançamentos.



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