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Déficit primário pode chegar perto de R$ 600 bi, diz Mansueto

16/04/2020 07h03 - Atualizado há 6 anos Publicado por: Redação
Déficit primário pode chegar perto de R$ 600 bi, diz Mansueto Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Dívida pública poderia chegar em 90% do PIB

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou que o governo brasileiro irá gastar o que for necessário para lidar com a crise causada pelo coronavírus para apoiar a área de saúde e também os mais afetados, mas que a premissa é que os gastos serão temporários. A declaração foi dada em seminário online organizado pela Brazilian-American Chamber of Commerce. “Ser liberal não significa ser estúpido. Vamos ter de gastar mais. Não existe dúvida que temos de gastar mais, para ajudar o sistema de saúde, os trabalhadores que ganham pouco, os trabalhadores informais”, disse. “Mas será um gasto temporário e não vai continuar nos outros próximos, o que é bem diferente de outras crises”, completou.
Mansueto frisou que o teto de gastos está mantido e que o plano de consolidação fiscal será retomado no ano que vem.
O secretário também citou que o déficit primário deve ficar próximo 8% do PIB, ou cerca de R$ 600 bilhões, este ano e destacou que a dívida bruta do País vai aumentar, para entre 85% a 90% do Produto Interno Bruto (PIB), mas que, diferente de 2015 e 2016, a taxa Selic está em uma mínima histórica, o que diminui o custo da dívida. “O custo da dívida está em uma mínima histórica, o que nos ajuda a lidar com isso depois da crise.”
Mansueto ainda afirmou que as reformas estruturais serão mais importantes depois da crise.
O secretário do Tesouro Nacional avaliou que o plano de socorro aos Estados, aprovado na Câmara dos Deputados na noite de segunda-feira, 13, “dá muito a Estados”. Segundo Mansueto, o governo federal tem consciência de que, em meio à crise do coronavírus, é necessário fazer transferências para Estados, e até repasses livres, mas em um volume menor do que o Câmara aprovou.
Além disso, o secretário defendeu que o plano dure por três meses e, se até lá, a crise não passar, as medidas poderiam ser discutidas outra vez. “O que discordamos do Congresso é o tamanho da conta, e acreditamos que temos que ter um controle do gasto do dinheiro”, disse, citando a necessidade de contrapartidas, como a necessidade de não aumentar gastos por dois anos, por exemplo.

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