Senado quer proibir que empresa socorrida pelo BC demita

Lideranças do Senado
articulam incluir uma espécie de cláusula social para a compras de papéis de
empresas privadas pelo Banco Central durante pandemia da covid-19. Entre as
exigências, está a proibição para as empresas que forem beneficiadas pelo
socorro do BC demitir, sem justa causa, empregados que recebam salário de até
três mínimos (R$ 3.135).
A permissão para que o BC faça esses
investimentos está sendo discutida dentro da Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) do chamado “orçamento de guerra”, que cria um orçamento
paralelo, com recursos exclusivos para o enfrentamento da crise gerada pela
pandemia do novo coronavírus. O texto deve ser analisado pelo Senado na segunda-feira
(13).
Pela proposta, o BC poderia comprar títulos e
carteiras de crédito diretamente das empresas, sem passar pelo sistema
bancário.
O argumento do Banco Central é que essa seria
mais uma ferramenta para permitir a injeção de recursos em empresas que
enfrentam dificuldades financeiras durante a crise. Nesta semana, o presidente
do BC, Roberto Campos Neto, estimou que a instituição tem potencial para
comprar até R$ 972 bilhões nesse tipo de operação.
Por exemplo: uma varejista poderia vender ao BC
os empréstimos dos seus clientes, sem ter bancos como intermediários. Caso
ganhe carta branca, a autoridade monetária se alinhará a outros países no
mundo, como os Estados Unidos, onde a prática já é utilizada pelo Fed, o BC
norte-americano.
Os senadores querem, porém, colocar algumas
condições. Além de proibir a demissão, propõem que a empresa beneficiada pague
dividendos acima do mínimo obrigatório, seja proibida de recomprar ações
próprias e de dar aumento a dirigentes, incluindo bônus, participação nos
lucros e incentivos ao desempenho.
Outra proposta é vedar a transferência do
controle da empresa para pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas e residentes
no exterior. Na crise financeira de 2008, filiais de multinacionais instaladas
no País que receberam ajuda do governo brasileiro, aumentaram depois remessas
para o exterior para ajudar as suas sedes.
Os senadores avisaram Campos Neto que vão
alterar a PEC no trecho que dá poder de fogo à instituição, mesmo que essa
parte da PEC tenha que voltar à Câmara. Só seria promulgado o restante da PEC,
em que há consenso.
No gabinete do relator, senador Antonio
Anastasia (PSDB-MG), o recado dado a técnicos é que o trecho do novo arsenal
será mantido, porém, com redução em “excessos” apontados pelo Senado
Pelo texto da PEC aprovada na Câmara, o
presidente do BC prestará contas ao Congresso a cada 45 dias sobre o conjunto
das operações realizadas. No Senado, esse ponto poderá ser alterado obrigando o
BC a pedir autorização prévia por lotes de transações aos parlamentares.



Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.