Arrecadação de impostos tem queda de 2,7% em fevereiro

Menor resultado para o mês desde 2018
A arrecadação das receitas federais, que chegou a registrar
recorde em janeiro, apresentou queda em fevereiro, totalizando R$ 116,430
bilhões, com queda real (descontada a inflação) de 2,71%, na comparação com o
mesmo mês de 2019. Esse foi o menor resultado para o mês desde 2018, quando
chegou a R$ 113,586 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
As receitas administradas pela Receita Federal, como impostos e contribuições
federais, chegaram a R$ 112,141 bilhões, resultando em queda real de 4,55%.
Já as receitas administradas por outros órgãos, principalmente royalties do
petróleo, totalizaram R$ 4,289 bilhões, com expansão de 95,95%.
A redução na arrecadação em fevereiro é explicada por um fator que ocorreu em
2019 e não se repetiu em 2020. Em fevereiro do ano passado, houve arrecadação
extraordinária de R$ 4,6 bilhões de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)
e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Segundo a Receita, o
crescimento da arrecadação de IRPJ foi decorrente de ganhos de capital com a
venda de bens pelas empresas e na bolsa de valores.
Se for desconsiderado esse efeito atípico, a arrecadação total de fevereiro
apresentou queda real de 0,66% e crescimento de 1,42% no primeiro bimestre
deste ano, comparado a igual período de 2019.
Pandemia
De acordo com o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da
Receita, Claudemir Malaquias, a arrecadação de fevereiro ainda não foi
impactada pelos efeitos da pandemia da covid-19 na economia. “Após excluir R$
4,6 bilhões da base de comparação, o resultado de fevereiro fica 0,66% abaixo,
ainda assim, é o melhor da série [em valor] para esse mês. Até esse segundo
mês, não há efeitos da pandemia verificados na arrecadação”, disse Malaquias.
Em março, segundo ele, a expectativa é de impacto parcial da pandemia na
arrecadação. “Para aquelas atividades que foram menos afetadas e cujo
recolhimento principal se refere aos fatos geradores ocorridos em fevereiro,
certamente haverá arrecadação normal ou até superior ao mesmo período de 2019.
Mas algumas atividades que foram mais afetadas, essas que tiveram os seus fatos
geradores mais atingidos, terão um efeito maior “, disse.
De janeiro a fevereiro, a arrecadação total chegou a R$ 291,421 bilhões, com
aumento real de 1,61%. As receitas administradas pela Receita totalizaram R$
276,089 bilhões, com aumento real de 0,74%. As receitas administradas por
outros órgãos ficaram em R$ 15,332 bilhões, crescimento de 20,3%.



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