Montadoras param e põem mais de 100 mil em férias coletivas

A indústria automobilística saiu à frente no setor
industrial e quase todas as montadoras já anunciaram fechamento temporário de
fábricas a partir de amanhã (23) para tentar evitar a disseminação do novo
coronavírus. O número de funcionários que ficarão em casa já passa de 100 mil.
Até sexta-feira, 14 marcas que administram 35 unidades produtivas de veículos e
motores em vários Estados informaram a suspensão total da produção por períodos
que variam de três semanas a um mês, mas com possibilidade de prorrogação, se
necessário.
As negociações das paradas foram feitas com os respectivos sindicatos de
trabalhadores e envolvem, até agora, cerca de 104 mil funcionários, sendo uma
parte pequena de filiais da Argentina. A maioria do pessoal do chão de fábrica
entrará em férias coletivas ou terá banco de horas para futura compensação,
enquanto o pessoal administrativo fará home office.
Só na sexta confirmaram dispensa dos funcionários da área de produção de todas
as fábricas locais as empresas Toyota, Scania, Honda, BMW, FCA Fiat Chrysler,
Renault, PSA Peugeot Citroën e MAN/Volkswagen Caminhões e Ônibus.
Ford, General Motors, Mercedes-Benz, Volkswagen e Volvo já tinham anunciado a
parada total da produção. Entre as maiores montadoras, apenas a Nissan ainda
não decidiu pela parada total da fábrica no Rio de Janeiro, mas afirma que
reduziu os riscos com menos trabalhadores na fábrica (os administrativos estão
trabalhando em casa). “Mas estamos fazendo monitoramento constante para
assegurar a saúde dos funcionários”, assinala a empresa.
A Caoa Chery colocará os 540 funcionários da fábrica de Jacareí (SP) em lay-off
(suspensão temporária de contratos). A empresa voltou atrás em 70 demissões
anunciadas na quarta-feira, após greve de um dia na unidade. Esses operários
ficarão em casa por três meses, enquanto os demais deverão retornar em maio.
Autopeças
A paralisação das montadoras terá grande reflexo nos fornecedores de peças
e matéria-prima. O Sindicato Nacional das Indústrias de Componentes para
Veículos Automotores (Sindipeças) informa que o setor está acompanhando o
movimento das montadoras e os impactos no mercado local e internacional.
“Não é possível, neste momento, fazer estimativas quanto aos efeitos da
pandemia no setor, assim como na economia em geral”, informou a entidade.
Fornecedores ligados a outros segmentos estão se antecipando. A Pirelli vai
suspender a produção de pneus nas três unidades locais a partir de segunda-feira.
A Tupy já paralisou suas linhas na Quinta-feira.
O presidente da Federação dos Sindicatos dos Metalúrgicos da CUT de São Paulo,
Luiz Carlos da Silva Dias, informa que tem se reunido constantemente com os
sindicatos patronais, com o Sindipeças, e que na segunda-feira essas entidades
vão apresentar propostas para enfrentar o momento de epidemia. O Estado
concentra cerca de 190 mil metalúrgicos de vários setores, como autopeças e
máquinas e equipamentos.
“As empresas estão preocupadas, pois várias têm compromissos e nem todas
as montadoras vão parar”, afirma Dias. “Elas também querem garantir
acordos para o futuro, como outras alternativas caso a epidemia se prolongue e
também formas de recuperar a produção.”
Dias ressalta que, “o bom é que, até agora, nenhuma entidade patronal
falou em demissões” e que a preocupação é buscar alternativas manter o
quadro atual de trabalhadores.



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