Estado auxilia no desenvolvimento de técnica de plantio em áreas montanhosas

O plantio sem preparo do solo emprega técnica simples, de
baixo custo e oferece excelentes resultados, porém muitos produtores rurais
ainda não conhecem ou, mesmo conhecendo, ainda não adotaram, apesar da Lei de
Uso do Solo vigente no Estado de São Paulo, que não permite a utilização de
tratores para preparo do solo em áreas com declividade que venham a comprometer
a vida do tratorista, em função de prováveis acidentes, e a saúde do solo, que,
remexido, fica mais sujeito a erosões.
É por esse motivo que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado
incentiva a divulgação da tecnologia conhecida como “sobressemeadura”, porém
melhor entendida quando se fala em “plantio de pastagem sem preparo do solo”,
com a implantação de uma unidade modelo em uma pequena propriedade instalada em
Santa Isabel, município da área de atuação da Coordenadoria de Desenvolvimento
Rural Sustentável (CDRS) Regional Mogi das Cruzes.
A instalação dessa Unidade Demonstrativa (UD) tem como objetivo a realização de
Dias de Campo para divulgar e incentivar o uso da técnica. Nessas ocasiões, o
proprietário do Sítio São Luiz, João Bosco Rezende, receberá outros produtores
interessados na técnica desenvolvida pelo engenheiro agrônomo Ricardo
Manfredini, extensionista da CDRS que já sugeriu, com sucesso, a adoção deste
mesmo modelo em municípios da região do Vale do Paraíba, em especial Natividade
da Serra e Redenção da Serra, e que vem recebendo convites para palestras em
outros estados que também contam com pequenas propriedades em áreas
montanhosas.
Atividade produtiva
O Sítio São Luiz, segundo a zootecnista da CDRS Dayla Ciâncio, que atende a
propriedade há cerca de dois anos, é representativa do tipo de espaços da
região: pequenas, com atividade leiteira e com pastagens degradadas instaladas
em áreas de morro. O produtor conta com dez vacas em lactação e produz cerca de
100 litros de leite por dia com duas ordenhas. Ele trabalha sozinho e a
atividade é responsável pela única renda.
“O intuito é primeiro melhorar a alimentação do gado, que recebe ainda capim
napier no cocho, para depois melhorar a genética”, explica a zootecnista. Para
isso, foi implantado um piquete inicial e, onde havia apenas grama, foi feita a
dessecação com glifosato e, posteriormente, jogadas as sementes junto com
adubo.
O engenheiro agrônomo responsável pela implantação é Ricardo Manfredini, que
comenta sobre a preocupação que o produtor, já descapitalizado, não venha a
sofrer multas caso utilize o preparo do solo convencional “com trator morro
abaixo” como se costuma dizer.
“É uma técnica ideal para pequenas áreas, porém nada impede a utilização em
grandes áreas também, mas o pequeno pode ir fazendo aos poucos, ele sozinho
consegue realizar a operação. O principal é primeiro delimitar a área, fazer a
amostragem do solo para verificar a calagem, a seguir dessecar e estando seco o
mato, fazer a semeadura sobre o mato dessecado”, salienta.
Expansão
João Bosco Rezende já pensa em fazer uma segunda área, porque, apesar de
ainda não ter soltado o gado, está vendo a diferença entre essa e as demais
áreas adjacentes, todas com grama desgastada pelo tempo e sem quase nenhum
valor nutritivo para os animais.
Ricardo Manfredini explica que é preciso ficar atento à altura do pasto; antes
da entrada do gado chega a 1,50 m e deve ficar “até a altura do cano da bota”.
Aí, é hora de tirar o gado para outra área, para que o capim volte a ter
crescimento.
Oportunidade
Para Felipe Monteiro, diretor da CDRS Mogi das Cruzes, apesar de não ser a
topografia da maior parte dos municípios atendidos pela região abrangida pela
Regional, essa é uma técnica valiosa para pequenos proprietários e uma
oportunidade de alertar para a Lei de Uso do Solo que, se não atendida, poderá
gerar multas e prejuízos.



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