Dólar cai após quatro altas seguidas em dois dias

Medidas
emergenciais de governos em várias partes do mundo para tentar conter os
efeitos do coronavírus na atividade econômica conseguiram melhorar o humor dos
investidores e o mercado de câmbio aqui acompanhou este movimento. Após quatro
altas seguidas, o dólar fechou em baixa ontem (17), mas ainda se manteve no
nível R$ 5,00 pelo segundo dia seguido. O Banco Central voltou a atuar no
mercado e ofereceu US$ 2 bilhões em leilões de linha (venda de dólar à vista
com compromisso de recompra), o que também ajudou a retirar pressão no câmbio.
O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,86%, cotado em R$ 5,0087.
Estados Unidos, Reino Unido e Espanha estão entre os países que anunciaram
medidas extraordinárias hoje. O Brasil havia anunciado na noite de ontem. Nos
EUA, além de medidas fiscais formuladas pela Casa Branca, o Federal Reserve
(Fed, o banco central americano) anunciou um programa de financiamento por
commercial papers de US$ 10 bilhões para tentar resolver o problema de caixa
das empresas e as bolsas em Nova York passaram a acelerar a alta em seguida. O
Reino Unido também anunciou mecanismo semelhante.
O analista sênior de mercados do banco especializado em transferências
internacionais Western Union, Joe Manimbo, observa que as evidências de que o
avanço da pandemia de coronavírus está prejudicando a atividade econômica tem
fortalecido o dólar, ante divisas fortes e emergentes. Hoje, ele nota que o
movimento foi principalmente ante moedas fortes, com o temor de recessão na
Alemanha fazendo o euro despencar e dados ruins da Inglaterra fazendo a libra
cair 1,5%.
O gestor e sócio-diretor da TAG Investimentos, Dan Kawa, avalia que a incerteza
permanece e o mercado terá ainda muita volatilidade pela frente. “Devemos
esperar recessão em grande parte do mundo”, destaca, ressaltando que já
consegue afirmar que “parte não desprezível” do ajuste nos mercados
já foi feita. Indicadores divulgados hoje, mostrando queda nas vendas no varejo
nos EUA e forte piora do índice de expectativas econômicas da Alemanha – de 8,7
em fevereiro para -49,5 pontos em março – são uma prévia do que vai vir pela
frente.
Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com investidores internacionais
mostra que a confiança dos gestores de recursos despencou para os piores níveis
desde a crise financeira mundial Preocupações como recessão, risco de defaults
nas empresas e choque de petróleo em meio à pandemia do coronavírus
contribuíram para a deterioração do sentimento do mercado e aumentou a
preferência destes investidores por “portos seguros”, pressionando as
moedas de mercados emergentes.



Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.