Coronavírus altera procedimentos no mercado de capitais

Em razão dos
impactos do coronavírus no mercado de capitais, em particular no brasileiro, a
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da
Economia, informou na última sexta-feira (13) que vai atender automaticamente,
por meio da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), a
pedidos de modificações de ofertas públicas já registradas. Nesses casos, a
prorrogação da distribuição será por mais 90 dias.
A mudança foi divulgada nesta sexta-feira, segundo a assessoria de imprensa da
CVM.
A comissão informou que os investidores que já tiverem aderido à oferta poderão
desistir em até cinco dias contados a partir do recebimento da comunicação
sobre a modificação. Os novos investidores também terão que ser informados
sobre a alteração da oferta. “A modificação deverá ser divulgada imediatamente
através de meios ao menos iguais aos utilizados para a divulgação da
oferta”, disse superintendente de Registro de Valores Mobiliários, Luis
Miguel Sono. Segundo ele, emissores e ofertantes de valores mobiliários e as instituições
intermediárias deverão respeitar as regras previstas na Instrução CVM 400, que
fundamenta a alteração.
Estresse operacional
Nesta sexta-feira, a CVM também fez um alerta ao mercado sobre a
possibilidade de adoção de um plano de contingência em função do “estresse
operacional” de tecnologia da informação (TI) causada pelo coronavírus, que
pode ocorrer diante da tendência de aumento do volume de operações. De acordo
com a autarquia, esse volume poderá superar a capacidade suportada pela
estrutura atual de TI dos agentes intermediários que atuam no mercado de
capitais nacional.
A CVM apontou que podem ocorrer outras situações em função do vírus, como a
realização de operações pelo telefone ou o crescimento de intermediários
trabalhando pelo sistema laboral remoto, inclusive por questões de segurança
sanitária.
A autarquia alerta esses participantes para elaborarem um plano de contingência
que permita que eles possam seguir prestando seus serviços de forma adequada e
que deve ser preparado antecipadamente e comunicado aos funcionários, clientes
e ao público em geral. O superintendente de Relações com o Mercado e
Intermediários da CVM, Francisco José Bastos Santos, salientou que a atuação
preventiva desses regulados pode garantir os interesses do cliente para a
execução de suas ordens.
Santos destacou que o primeiro passo importante do intermediário diante desse
cenário de possível estresse é não improvisar e já ter desenvolvido e
disseminado internamente um plano de contingência adequado para a situação. Ele
acrescentou que, caso o cenário de estresse venha a se materializar, é
fundamental que haja comunicação direta e simples com o cliente, que deverá ser
informado com clareza sobre possíveis impactos nos serviços oferecidos.
O intermediário deve mostrar “como atuará nessa situação e se mostrar
disponível e acessível para qualquer necessidade”, concluiu o superintendente.
Ele disse que as equipes de trabalho devem ser treinadas para assegurar
qualidade no nível de serviço prestado, mesmo diante da situação de estresse
provocada pelo coronavírus.



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