CAE do Senado aprova projeto do risco hidrológico,

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou
ontem (10), o projeto de lei que traz uma solução para o impasse bilionário do
risco hidrológico, conhecido no setor elétrico como GSF. O texto, que ainda
passará pela análise do plenário da Casa, permite a prorrogação do prazo de
concessão das usinas das geradoras de energia que aceitarem retirar ações
judiciais. A intenção é estancar uma briga judicial que impede a liquidação
envolve de cerca de R$ 8 bilhões no mercado de curto prazo de energia elétrica.
O problema em torno do risco hidrológico começou em 2013, quando a seca passou
a reduzir a capacidade de geração das hidrelétricas. Nesses casos, o ONS, órgão
do setor elétrico responsável pela definição de quanto cada usina gera, aciona
termelétricas para preservar os reservatórios das hidrelétricas, a fim de
garantir o abastecimento no futuro. Assim, mesmo que as hidrelétricas tenham
capacidade para gerar, são “impedidas” pelo ONS.
Para honrar com os contratos assumidos, as usinas tiveram que comprar energia
no mercado de curto prazo, a preços mais elevados. Em 2015, a Lei nº 13.203,
originária da Medida Provisória nº 688, viabilizou uma solução para o imbróglio
judicial para a parcela de energia negociada no mercado regulado, repassando o
risco hidrológico para os consumidores das distribuidoras de energia elétrica.
Entretanto, ela não teve êxito de acabar com o conflito judicial para a energia
elétrica negociada no mercado livre.
O impacto da seca foi agravado pelo estímulo ao consumo provocado pela Medida
Provisória
nº 579, de 2012, pelo acionamento de termelétricas fora da ordem de mérito e
pela inclusão no cálculo do GSF de componentes estranhos ao risco hidrológico,
como algumas medidas que reduziram artificialmente o custo de projetos
estruturantes, entre elas a usina de Belo Monte.
A reação dos geradores diante do custo bilionário com a compra de energia
elétrica no mercado de curto prazo foi acionar a Justiça, alegando a inclusão
de elementos indevidos no risco hidrológico. Com isso, diversas associações
conseguiram liminares que isentavam as usinas de arcar com esses custos, ou ao
menos parte deles, criando um passivo de R$ 8 bilhões no âmbito da Câmara de
Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Divisão
O parecer do relator do texto da CAE, senador Eduardo Braga (MDB-AM), foi
pela manutenção da alteração feita pelos deputados durante análise do texto em
junho de 2019. Naquela oportunidade, os deputados estabeleceram uma nova
divisão para os recursos da comercialização de petróleo da União no regime de
partilha, ou seja, do pré-sal prevista no projeto de lei aprovado originalmente
no Senado.



Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.