Relator estuda reduzir período de transição da Reforma Tributária

A equipe econômica e o Congresso pretendem atuar nesta
semana em duas frentes para tentar deslanchar o debate da reforma tributária,
num momento de bombardeio deflagrado por diferentes setores atingidos. De um
lado, o governo promete enviar a primeira fase de sua proposta, com a junção do
PIS e da Cofins em um só imposto, o IVA Federal. De outro, o deputado Aguinaldo
Ribeiro (PP-PB), relator da comissão mista que unificará as reformas em
tramitação na Câmara e no Senado, trabalha para acelerar as negociações e
buscar a primeira aprovação até o fim de abril.
Um dos desafios de Ribeiro será acoplar a simplificação do PIS/Cofins às
propostas que tramitam no Congresso, que preveem a criação do IBS (Imposto
sobre Bens e Serviços), que unifica, além dos impostos sobre consumo federais,
o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).
O deputado também estuda reduzir o período de transição para o novo modelo
tributário. O projeto que tramita na Câmara prevê um período de transição de
dez anos, durante o qual o País conviveria com o modelo novo e o antigo. Mas
esse período pode cair para algo entre cinco e oito anos. “Estamos
trabalhando como adequar a transição dentro do IBS. Tem como conviver com os
dois sistemas”, disse Ribeiro, que se reuniu na última quinta-feira com o
secretário da Receita, José Tostes.
O período de dez anos foi bastante criticado porque, durante esse tempo, seria
preciso conviver com dois sistemas tributários, cumprindo as respectivas
obrigações quase que em duplicidade, o que seria complexo e penoso para os
contribuintes Da mesma forma, a proposta de transição para a partilha do
tributo entre Estados e municípios, de 50 anos, deve cair para um prazo de 30
ou 20 anos.
Especialista em reforma tributária, o economista Rodrigo Orair, do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), avalia que a redução do prazo de transição
para Estados e municípios pode ajudar a reforma, mas também aumenta o risco de
perdas de arrecadação, principalmente de alguns municípios que hoje recebem
cotas elevadas do ICMS. “Teria de ter um fundo de compensação. Tem de
colocar dinheiro no fundo.”



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