Dólar fecha acima de R$ 4,50 pela primeira vez na história

Em meio ao receio de uma recessão global provocada pelo novo
coronavírus, o dólar subiu e voltou a bater recorde nominal desde a criação do
real. Nem o corte emergencial dos juros pelo Federal Reserve (Fed), Banco
Central norte-americano, conteve as turbulências no mercado.
Em alta pela décima sessão seguida, o dólar comercial encerrou esta última terça-feira
(03), vendido a R$ 4,511, com alta de R$ 0,024 (+0,53%). A cotação oscilou
bastante ao longo da sessão. Por volta das 13h, caiu para R$ 4,45, logo após o
Fed anunciar o corte de juros. No entanto, voltou a subir à tarde, até fechar
perto da máxima do dia.
Desde o começo do ano, o dólar acumula valorização de 12,41%. O euro comercial
também bateu recorde nominal e fechou em R$ 5,038, com alta de 1,1%. Na
última segunda-feira (02), o euro tinha superado a barreira de R$ 5
durante as negociações, mas tinha fechado em R$ 4,996.
O Banco Central (BC) amenizou as intervenções no câmbio. Diferentemente dos
últimos dias, a autoridade monetária não leiloou novos contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares
no mercado futuro. O BC apenas rolou (renovou) R$ 650 milhões de contratos de swap que venceriam em abril.
O mercado de ações também teve um dia turbulento. Depois de dois dias de alta,
o índice Ibovespa, da B3 (antiga Bolsa de Valores de São Paulo), encerrou a terça-feira
aos 105.537 pontos, com queda de 1,02%. O indicador alternou altas e baixas ao
longo da sessão, mas passou a recuar fortemente nas duas horas finais de
negociação.
Nas últimas semanas, o mercado financeiro em todo o mundo tem atravessado
turbulências por receio do impacto do coronavírus sobre a economia global. Ontem (2),
a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu de
2,9% para 2,4%, a previsão de crescimento econômico mundial para 2020 em
decorrência da doença.
Com as principais cadeias internacionais de produção afetadas pela interrupção
da atividade industrial na China, indústrias de diversos países, inclusive do
Brasil, sofrem com a falta de matéria-prima para fabricar e montar produtos.
A desaceleração da China, segunda maior economia do
planeta, também pode fazer o país asiático consumir menos insumos, minérios e
produtos agropecuários brasileiros. Uma eventual redução das exportações para o
principal parceiro comercial do Brasil reduz a entrada de dólares, pressionando
a cotação.
Entre os fatores domésticos que têm provocado a
valorização do dólar, está a decisão recente do Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central de reduzir a taxa Selic – juros básicos – para 4,25%
ao ano, o menor nível da história. Juros mais baixos desestimulam a entrada de
capitais estrangeiros no Brasil, também puxando a cotação para cima.
A redução emergencial de juros pelo Fed alivia as pressões sobre o câmbio
porque aumenta a diferença entre os juros brasileiros e as taxas básicas nos
Estados Unidos. No entanto, a decisão indica que a recessão global pode ser
mais intensa que o esperado, o que levou ao nervosismo nos mercados financeiros
globais.



Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.