Juros favorecem compras de imóveis no País

Taxas de juros mais baixas da história, expansão do crédito
imobiliário em 82% nos últimos dois anos e processo de valorização colocam os
imóveis novamente no radar para quem sonha com a casa própria ou quer escapar
do mercado financeiro e investir em ativo real. Para analistas, o momento é de
compra, mas a decisão não pode demorar, já que a tendência é de que os preços
subam nos próximos meses.
O aumento de preços dos imóveis ainda não é significativo em razão dos altos
estoques acumulados desde a crise econômica, afirma o vice-presidente do
Sindicato da Habitação (Secovi), Emílio Kallas. Ele ressalta que a retomada de
demanda abre espaço para recuperação da desvalorização dos últimos anos.
Além disso, afirma Kallas, há uma pressão, principalmente em São Paulo – onde
está concentrada metade dos imóveis disponíveis em todo o País –, vinda da
escassez de terrenos para construção.
A situação levou a uma alta média de 30% nos preços de novos terrenos em
relação ao ano passado. “Já houve um repasse médio de 10% para os preços dos
imóveis e há espaço para subir mais 20%”, diz Kallas. Segundo ele, a nova
legislação para uso do solo urbano na capital paulista praticamente esgotou os
terrenos disponíveis.
“O preço dos imóveis ainda não começou a crescer de maneira robusta, mas isso
está perto de ocorrer. Por isso, vale a pena comprar logo”, diz Rafael Sasso,
cofundador da plataforma Melhortaxa, que compara as ofertas de crédito imobiliário
das principais instituições financeiras do País.
Para quem tem imóvel disponível e acredita que esperar a nova alta para vender
seja a melhor opção, Kallas ressalta que, após o período de paralisação do
mercado, em que proprietários tiveram de arcar com custos de manutenção, IPTU e
condomínio (no caso de apartamentos), “seria melhor entrar logo na onda de
recuperação de vendas que está ocorrendo”.
A retomada de vendas começou há dois anos nos segmento de média e alta rendas,
com preços acima de R$ 300 mil. No ano passado, foram financiados 297,9 mil
imóveis, o melhor resultado dos últimos quatro anos e 70% superior ao de 2017,
quando foi registrado o menor volume da década. Em relação a 2018, a alta foi
de 30%.
O valor financiado saltou 82% – de R$ 43,1 bilhões em 2017 para R$ 78,7 bilhões
no ano passado, também o maior valor desde 2015, segundo dados da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Na
comparação com 2018, a melhora foi de 37%.



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