Dívida pública pode alcançar até 4,75 trilhões em 2020

Depois
de encerrar 2019 próxima de R$ 4,3 trilhões e em nível recorde, a
Dívida Pública Federal (DPF) deverá chegar ao fim de 2020 entre R$
4,5 trilhões e R$ 4,75 trilhões. Os números foram divulgados nesta
última terça-feira (28) pelo Tesouro Nacional, que apresentou o
Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública em 2020.
De
acordo com o PAF, que apresenta metas para a dívida pública para
este ano, o governo criou um espaço para aumentar a fatia de títulos
corrigidos por taxas flutuantes como a Selic (juros básicos da
economia) e de papéis corrigidos pelo câmbio, caso a instabilidade
no mercado financeiro se intensifique. Nesse caso, cairia a parcela
da dívida prefixada (com taxas de juros fixas e definidas
antecipadamente) e vinculada à inflação.
Segundo o documento,
a fatia dos títulos prefixados deverá encerrar o ano entre 27% e
31% da DPF. Atualmente, a participação está em 31%. A parcela
corrigida por índices de preços deverá ficar entre 23% e 27%.
Atualmente está em 26%.
A parcela da DPF vinculada à taxa
Selic (juros básicos da economia) deverá encerrar 2020 entre 40% e
44%, contra os 38,9% registrados atualmente. Já a participação da
dívida corrigida pelo câmbio, considerando a dívida pública
externa, deverá encerrar o ano entre 3% e 7%. O percentual atual
está em 4,1%. Os números não levam em conta as operações de
compra e venda de dólares no mercado futuro pelo Banco Central, que
interferem no resultado.
Em 2019, a DPF registrou o aumento de
títulos corrigidos por taxas flutuantes, que subiram de 35,5% em
dezembro de 2018 para 38,9% no mês passado. Segundo o Tesouro, a
tendência é que a participação dos papéis vinculados à Selic
diminua a partir de 2021 e continue a cair à medida que o resultado
fiscal do governo melhore.
Em tese, os títulos corrigidos por
taxas flutuantes aumentam o risco da dívida pública, porque a Selic
pressiona mais o endividamento do governo quando os juros básicos da
economia sobem. No entanto, com a queda recorde dos juros básicos no
ano passado, o aumento da participação desses papéis beneficiou o
Tesouro porque ajudou a segurar o pagamento dos juros da dívida
pública.
Quando o Banco Central reajusta os juros básicos, a
parte da dívida interna corrigida pela Selic aumenta imediatamente.
A taxa de juros dos papéis prefixados é definida no momento da
emissão e não varia ao longo do tempo. Dessa forma, o Tesouro sabe
exatamente quanto pagará de juros daqui a vários anos, quando os
papéis vencerem e os investidores tiverem de ser reembolsados.
O
Plano Anual de Financiamento também abriu uma margem para diminuir o
prazo da DPF. No fim de 2019, o prazo médio ficou em 4 anos. O PAF
estipulou que ficará entre 3,9 e 4,1 anos no fim de dezembro. O
Tesouro divulga as estimativas em anos, não em meses. Já a parcela
da dívida que vence nos próximos 12 meses encerrará 2020 entre 20%
e 23%. Atualmente, está em 18,7%.
Segundo o Tesouro, o governo
tem dois mecanismos de segurança para garantir a capacidade de
financiamento em caso de crise econômica que não permita ao Tesouro
lançar títulos no mercado. Em primeiro lugar, o governo tem
reservas internacionais suficientes para pagar os vencimentos de R$
11,5 bilhões (US$ 2,83 bilhões) da dívida pública externa em
2020. Além disso, o governo tem um colchão para cobrir pouco mais
de seis meses dos vencimentos da dívida pública interna, que
totalizarão R$ 808,2 bilhões este ano.
Por meio da dívida
pública, o Tesouro Nacional emite títulos e pega dinheiro
emprestado dos investidores para honrar compromissos. Em troca, o
governo compromete-se a devolver os recursos com alguma correção,
que pode seguir a taxa Selic, a inflação, o câmbio ou ser
prefixada, definida com antecedência.



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