Governo avalia compensar alta de petróleo

O
ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse na última segunda-feira
(06) que o governo analisa uma série de medidas que possam ser usadas em
momentos de crises que resultem em alta do petróleo e, consequentemente,
aumento nos preços de combustíveis no mercado interno. Albuquerque não
adiantou, no entanto, que instrumentos seriam esses e de que forma eles
poderiam ser aplicados.
“Discutimos políticas e instrumentos que o
governo deveria ter para se contrapor a eventos e crises como esses”,
disse ele, após reunião com o presidente Jair Bolsonaro, o presidente da
Petrobrás, Castello Branco, e o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo,
Gás e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone. “Já estávamos trabalhando há
dois meses em propostas alternativas e instrumentos para utilizar e não sermos
afetados por eventuais aumentos no preço de petróleo.”
Questionado, ele não respondeu se elas envolvem
a criação de um fundo de equalização de preços ou mesmo o estabelecimento de
impostos flexíveis – com alíquotas que caiam em momentos de alta de preços e
subam em momentos de baixa. Também negou que o governo pretenda criar subsídios
para gasolina e diesel. “Subsídio para combustíveis não é a palavra
adequada. Compensação talvez seja a palavra adequada”, afirmou.
Segundo ele, a situação do Brasil é diferente
hoje se comparada a crises do passado, já que o País, em breve, será um dos
cinco maiores produtores do mundo. “O Brasil é exportador de petróleo, e
se o preço aumenta, é bom para o País, mas também aumenta o combustível, o que
é ruim. Temos de criar mecanismos compensatórios sem alterar equilíbrio econômico
do País”, disse
O ministro disse ainda que o momento não exige a
adoção de medidas para conter a alta dos preços dos combustíveis. “Não
podemos apresentar as medidas porque ainda não concluímos análise. A conjuntura
não exige isso ainda.”
Albuquerque disse que a reunião já estava
marcada desde antes do Natal e que acabou sendo usada, também, para analisar a
conjuntura desde o ataque americano ao aeroporto de Bagdá, que resultou na
morte do general iraniano Qassim Soleimani, gerando tensões nos mercados internacionais
e aumento nos preços do petróleo.
Conjuntura – “Com o ocorrido na semana passada, conversei com
o presidente e mencionei a reunião e a análise da conjuntura. O presidente
disse que iria à reunião se tivesse disponibilidade, e veio”, afirmou.
“Apresentamos a conjuntura do setor de petróleo no mundo do ponto de vista
do setor energético.”
O ministro reiterou que o governo não vai
interferir na política de preços da Petrobrás. “O presidente deixou claro
que não há interferência na política de preços da Petrobrás”, disse.
Sobre as eventuais medidas que possam ser
adotadas para conter o impacto do aumento do preço do petróleo no País, o
ministro disse que elas dependem não apenas do Ministério de Minas e Energia,
mas também de outras pastas, da ANP e do próprio Congresso.
“As medidas serão implementadas
paulatinamente para não haver incertezas no setor de combustíveis e para o
consumidor”, disse, sem esclarecer quais serão elas. “Teremos
instrumentos para dar resposta rápida para que o País não fique refém de cada
crise de petróleo.”
Sobre ajustes no ICMS, imposto cobrado pelos
Estados e que representa um terço do preço final dos combustíveis, Albuquerque
disse que a questão deve ser discutida no âmbito do Conselho Nacional de
Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários estaduais de Fazenda.
O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, defendeu a
política de liberdade de preços da Petrobrás: “Ela é fundamental para que
tenhamos um ambiente competitivo, em que haja venda e investimento de
refinarias”.
O presidente da Petrobrás, Roberto Castello
Branco, destacou ainda que a inflação está sob controle, mesmo sem subsídios.
“De 2011 a 2014, tivemos subsídios e inflação alta. Em 2019, tivemos
liberdade de preços e inflação comportada.”



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