‘Venda de ativos em 2020 será muito maior’, diz presidente da Caixa

Depois
de vender R$ 15 bilhões em ativos próprios em seu primeiro ano de
gestão, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães,
espera superar o montante em 2020, seguindo à risca a orientação
da equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro, de desinflar os
bancos públicos. Para 2020, o objetivo do executivo é capitanear a
bilionária abertura de capital da Caixa Seguridade. Em paralelo,
concluir a reestruturação da operação de seguros, com a chegada
de novos sócios a partir de fevereiro de 2021, quanto termina o
contrato de exclusividade com a atual acionista, a francesa CNP
Assurances. A seguir, os principais trechos da entrevista.
O
sr. conseguiu fazer o que imaginava em seu primeiro ano à frente da
Caixa, apesar das amarras dos órgãos de fiscalização?
Sim,
tudo que era o mais importante a gente fez. A gente tirou ressalva
(questionamentos da auditoria por conta de suspeitas de casos de
corrupção) e ajustou o patrimônio do banco. Foi muito embate até
que as pessoas percebessem que a Caixa tinha mudado. Não adiantava
fazer uma ligação para liberar a renegociação da empresa que
estava mal. Teve um choque no mercado. Gerou estresse, mas, hoje, as
pessoas sabem disso.
O
sr. se refere à negociação com a Odebrecht?A
pergunta é a seguinte: por que a Caixa foi a única que não teve
acesso às ações da Braskem? (Outros bancos envolvidos no plano de
recuperação da empresa puderam usar ações da Braskem como
garantia.)
Mas
o banco não teve essa oportunidade no ano passado como fez o Banco
do Brasil, quando Itaú Unibanco e Bradesco emprestaram dinheiro novo
ao grupo?
Teve,
mas não foi na minha gestão. Se fosse minha gestão, eu ia pegar e
pesado. O problema é que eu tenho de consertar coisas que outros
fizeram.
Isso
atrasou seus planos na Caixa?
Não,
porque, na verdade, eles correm em paralelo. Mostramos que a Caixa
não é mais o banco da Petrobras. Não vou falar os nomes das outras
empresas por ética e sigilo bancário. A Petrobras já pagou tudo. A
Caixa tem créditos longos com grandes empresas a taxas muito baixas,
todos originados antes de mim.
Qual
é a solução para essas operações?
É
uma conversa dura, mas a gente já conseguiu vender alguns desses
créditos no mercado. Nenhum tem taxa abaixo do preço de venda de
algumas carteiras (de crédito) hoje. Vou pegar o exemplo da
Petrobrás, que é público. Com R$ 8 bilhões que a empresa pagou,
eu revoluciono o microcrédito. É mais do que toda a
carteira.
Então,
grandes empresas não terão mais apoio financeiro da Caixa?
O
que vale mais a pena? Emprestar R$ 8 bilhões para a Petrobras, que
dá quase zero de spread (diferença de quanto um banco paga para
captar e quanto cobra para emprestar), ou R$ 8 bilhões para
revolucionar o microcrédito no Brasil? Para mim, é óbvia a
resposta. Hoje, qualquer banco no mundo quer emprestar para as
empresas brasileiras. Elas não precisam da Caixa. Quem precisa são
aqueles para quem ninguém quer emprestar. Também fizemos com que o
banco inteiro passasse a trabalhar junto. Pode parecer pouco, mas em
um banco de varejo isso é fundamental. Além disso, vendemos R$ 15
bilhões em ativos.
Qual
a expectativa para a venda de ativos em 2020?
É
muito maior.
O
que é muito maior? O dobro?
Teremos
a abertura de capital da Caixa Seguridade, que será relevante. Não
é possível mensurar ainda.
Qual
a agenda de venda de ativos em 2020?
Foco
total na abertura de capital da Caixa Seguridade e da Caixa
Cartões.
Serão
só duas aberturas de capital? Como ficarão as loterias e a gestão
de recursos?
Podem
acontecer. O de loterias não depende da Caixa, mas de uma lei para
que a gente tenha de fato a outorga. Nós não a temos hoje. Já a
abertura de capital da gestora é mais simples, mas precisamos de uma
medida provisória.
No
crédito imobiliário, a Caixa planeja uma nova modalidade, sem
correção. Qual o potencial da linha prefixada? E os juros?
Estamos
fazendo as contas. Os juros serão maiores, obviamente, porque tem um
prêmio de risco. Mas essa é a revolução. Porque vou aplicar em
títulos públicos, NTN-Bs, por exemplo, que vão me dar o hedge
(proteção) da inflação. Para o cliente, é o melhor dos mundos,
considerando o cenário de inflação baixa e economia ainda voltando
a crescer.
Por
que as joint ventures em seguros atrasaram?
As
joint ventures estão praticamente prontas, mas são oito instâncias.
Estamos fazendo uma coisa nova. Por isso, o cuidado é muito grande.
Cumprimos todas as etapas junto ao TCU e CGU e fomos elogiados por
isso. O grande salto de valor em relação à operação de seguros é
que, a partir de fevereiro de 2021, teremos aumento de receita nessa
área.
Para
quais outras linhas a Caixa olha em uma eventual redução de
juros?
Todas.
No crédito imobiliário, chegamos em 6,5% e, se baixar mais os
juros, podemos reduzir mais. No cheque especial, nossa aposta é
clara: vai reduzir a inadimplência e aumentar o tamanho da carteira.
Vamos ver se acertamos ou não, mas estamos tentando
Qual
a expectativa da Caixa para o crédito em 2020?
Nosso
foco é o imobiliário. Vamos continuar muito fortes.
A
participação de mercado da Caixa vai continuar em queda no próximo
ano?
A
gente já perdeu bastante. Agora, não cai mais tanto.
Qual
a sua visão da Caixa após 41 fins de semana visitando a rede do
banco Brasil afora?
As
pessoas e o mercado não dão valor a algo para mim óbvio: como ser
presidente do maior banco social do Hemisfério Sul e não conhecer a
ponta? O Caixa Mais Brasil mudou minha vida porque, quando se vê
pessoas morando em casa sem telhado e aceitando isso como se fosse um
destino, para mim, isso não existe. Vamos voltar na Região Norte e
no interior.



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