Pacote prevê cortar custo de combustível para baixar preço de bilhetes aéreos

O
governo planeja um pacote de medidas para reduzir o valor do querosene de
aviação em 2020. O objetivo é cortar o custo em até 20% para atrair novas
empresas, aumentar a concorrência e, como consequência, baixar os preços das
passagens aéreas.
Uma das propostas em estudo é acabar com a
incidência de PIS/Cofins sobre o combustível utilizado em aeronaves. “Não
é uma discussão fácil, porque falar em redução de receita é complicado, mas
entendemos que é uma opção que vai turbinar a economia do País”, disse, em
entrevista ao Estadão/Broadcast, o chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC),
Ronei Saggioro Glanzmann.
O Ministério da Economia participa desses
estudos para zerar o PIS/Cofins. “Temos de apurar os impactos fiscais e
tributários”, disse Glanzmann. O tributo corresponde a sete centavos do
litro de querosene, que custa em torno de R$ 3.
As outras medidas do pacote passam por quebrar a
concentração de empresas na distribuição do querosene, introduzir no País um
combustível que é ligeiramente mais barato, já usado nos EUA, e acabar com o
monopólio da Petrobrás na venda do querosene.
Glanzmann reconhece que o trabalho não surtirá
efeitos da noite para o dia, mas frisa que o foco da SAC em 2020 é atacar o
valor do combustível. O preço é um dos entraves para a vinda de novas empresas
ao País, segundo ele. É uma reclamação antiga das empresas de aviação, já que o
querosene de aviação no Brasil é cerca de 40% mais caro do que a média
internacional. Em 2019, já houve redução do ICMS, imposto cobrado pelos Estados,
mas há outros elementos da cadeia que pesam na conta.
Para a SAC, parte do custo elevado se dá em
razão da concentração da distribuição do combustível em apenas três empresas.
Para aumentar a concorrência, um grupo de trabalho foi montado entre a Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para
regulamentar os critérios de acesso por outras empresas à infraestrutura de
distribuição.
“O dono do duto tem de permitir que várias
distribuidoras utilizem o equipamento. A ideia é ter uma regra para isso, um
sistema de preços”, explicou. A regulamentação seria uma forma de evitar
preços “punitivos” que barram a entrada de novas empresas. Com o
acesso facilitado aos dutos, outra questão que pode ser viabilizada é uma rota
de importação do combustível, apontou Glanzmann. “Hoje, a importação no
Brasil é mais complexa, pela dificuldade de acesso à infraestrutura”,
disse.
Monopólio – O monopólio da venda de querosene pela Petrobrás
também incomoda o governo e se tornou alvo dentro do pacote. Glanzmann lembra
que a estatal já iniciou um movimento de venda de algumas refinarias.
“Hoje, a Petrobrás tem o monopólio do refino no Brasil. Então, o
distribuidor só compra querosene de aviação de um único fornecedor, que é a
estatal. Queremos quebrar isso, lá no início da cadeia produtiva.”
Em junho, o Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (Cade) homologou acordo com a Petrobrás para a venda de refinarias e
encerrar investigação contra a estatal no órgão. A proposta representa a venda
de ativos que correspondem à metade de sua capacidade de refino.
Outro ponto que também envolve diretamente a
Petrobrás é o tipo de combustível produzido no Brasil. A SAC quer tratar junto
com a estatal e a ANP sobre a produção e venda de um querosene que custa de um
a dois centavos menos que o usado atualmente. A diferença é que esse outro tipo
possui um ponto de congelamento um pouco menor, conforme explica o chefe da
secretaria de aviação. O combustível usado hoje pelas aéreas é ideal para as
rotas interpolares, mas o secretário não vê necessidade de exigir o produto em
rotas domésticas, onde não há risco de congelamento do combustível.
Segundo Glanzmann, já existe uma parceria com a
ANP para investimento no laboratório de análises químicas da agência, localizado
em Brasília, através do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), o que
possibilita que o novo combustível entre em fase de estudos.



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