Alterações na PEC Paralela geram beneses de R$ 43 bi aos servidores

Aprovada no Senado, a chamada
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) paralela, com regras para a
aposentadoria de servidores estaduais e municipais, tem potencial para anular
parte do ajuste da reforma da Previdência já aprovada. Mesmo levando em consideração
as novas receitas que o texto pretende criar (com a taxação de exportações
agrícolas, por exemplo), a previsão é de um aumento de R$ 43 bilhões nas
despesas em 10 anos, segundo cálculos preliminares obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. A proposta
ainda precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara.
A PEC foi vendida pelo Senado como um
complemento da reforma ao incluir a possibilidade de adesão dos Estados e
município às regras de aposentadoria dos servidores do governo federal. O texto
aprovado pelos senadores, porém, acabou abrindo a possibilidade de criação de
regime especial para algumas categorias – peritos criminais, guardas municipais
e até mesmo agentes e oficiais da Abin, o serviço de inteligência do governo
federal.
A possibilidade de regime especial para novas
categorias, incluindo policiais civis dos Estados (que já estava na reforma
promulgada), vai na contramão do princípio pretendido pelo projeto original, de
regras iguais para todos os trabalhadores. Pelas normas que já estão em vigor,
homens e mulheres que entraram no mercado de trabalho depois do dia 12 deste
mês precisam cumprir idade mínima de 65 anos e 62 anos, respectivamente, para
se aposentar.
A regulamentação da aposentadoria será feita por
legislação complementar e há grande preocupação de que outras categorias
pressionem por regras especiais, caso a proposta avance na Câmara. Só de
servidores do Executivo, há 267 sindicatos e associações que pressionam os
parlamentares por alterações que os beneficiam. A Frente Parlamentar Mista em
Defesa do Serviço Público, lançada este ano, reúne 235 deputados e sete
senadores.
“O Senado abriu a porteira das bondades. A
PEC paralela só piora a reforma da Previdência”, diz o economista Paulo
Tafner, especialista em Previdência.
Distrito Federal – Além da previsão de regime especial para algumas
categorias, emenda incluída na PEC prevê repasse de pelo menos R$ 17,6 bilhões
de receitas do Imposto de Renda para o Distrito Federal nos próximos 10 anos
relativo ao salário dos servidores da segurança que são pagos com dinheiro do
Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF).
O fundo é alimentado com recursos da União e o
Tribunal Contas da União (TCU) já havia determinado que a arrecadação do IR
cobrado na fonte deveria ser dividida entre o governo federal e todos os
Estados e municípios. Uma articulação da bancada do DF, porém, conseguiu
incluir na PEC a transferência para o governo distrital.
A PEC também pode abrir brecha para prefeitos e
governadores gastarem livremente recursos que foram capitalizados e poupados,
nos últimos anos, para fazer frente à Previdência dos seus servidores. Segundo
técnicos do governo, artigo permite que prefeitos e governadores gastem esse
dinheiro, deixando o buraco para o próximo gestor, segundo técnicos.
Para Felipe Salto, diretor executivo da
Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, a PEC paralela, cujo objetivo
era tratar da inclusão dos Estados e municípios, acabou avançando sobre outros
assuntos que podem ter efeito fiscal relevante. “A ideia foi criar um
incentivo para que mais e mais Estados e municípios aderissem à reforma da
União, mas a PEC paralela os libera dessas punições”, afirmou Salto.



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