Braskem encerra extração de sal-gema em Alagoas, alvo de ações de R$ 40 bi

Alvo de ações
judiciais que somam quase R$ 40 bilhões por conta de supostos prejuízos
causados por atividade de mineração em Maceió (AL), a petroquímica Braskem
anunciou na noite da última quinta-feira, 14, o fim das atividades de extração
de sal-gema na cidade. O sal-gema é um insumo usado para a produção de PVC.
Ruas e casas apresentam rachaduras e desníveis, e autoridades dizem que três
bairros estão afundando por conta das operações da empresa.
Segundo comunicado ao mercado na véspera do
feriado, a Braskem propôs à Agência Nacional de Mineração (ANM) a criação de
uma área de resguardo no entorno de 15 dos 35 poços que compõem as operações da
mina. Com isso, serão desocupados 400 imóveis e removidas 1,5 mil pessoas. A empresa
propõe que os demais 20 poços sejam monitorados.
A companhia, que tem Petrobrás e Odebrecht como
sócias, é objeto de três ações judiciais do Ministério Público Estadual, do
Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público Federal em Alagoas com
pedidos de indenização aos moradores e trabalhadores afetados, além de recursos
para execução de programas socioambientais e medidas emergenciais.
A petroquímica diz não estar assumindo a culpa
pelo afundamento dos bairros, mesmo propondo a remoção das famílias, o
fechamento da mina e o monitoramento de áreas de resguardo. Para a empresa, não
há relação entre o fenômeno geológico e a extração de sal-gema. A decisão foi
tomada após dados de sonares e da situação dos poços indicarem que seria melhor
fazer a ação preventiva, uma vez que a mina está em área urbana.
A petroquímica não informou o custo estimado
para a ação, que será realizada em coordenação com a Defesa Civil, nem o
destino das famílias removidas. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, porém, a empresa
pode ser obrigada a desembolsar até R$ 400 milhões para a remoção dos
moradores. Em toda a região, a estimativa é de que morem 40 mil pessoas.
Procurada, a Braskem diz não reconhecer o custo
de R$ 400 milhões. Até o momento, fruto de discussões judiciais, a empresa teve
R$ 100 milhões bloqueados e contratou R$ 6,4 bilhões em seguro-garantia para
cobrir perdas, caso seja considerada culpada nas ações.
Além das medidas anunciadas na quinta-feira, a
empresa vem executando uma série de ações na região, como obras de pavimentação
e drenagem para recuperar mais de 20 mil m² de ruas e avenidas, doação de
equipamentos para Defesa Civil de Maceió e revisão da estrutura das edificações.
O anúncio das medidas para o encerramento
definitivo da extração de sal-gema em Maceió pode complicar a situação da
Braskem nas discussões judiciais que a empresa trava com os representantes dos
Ministérios Público Estadual, do Trabalho e Federal, que somam R$ 39,4 bilhões.
Fontes dizem que a iniciativa pode ser vista como assunção de culpa. A empresa
afirma que só após a conclusão de estudos geológicos, em elaboração pelo
Instituto de Geomecânica de Leipzig (IFG), da Alemanha, no primeiro trimestre
de 2020, será possível determinar responsabilidades.
O afundamento dos bairros em Maceió foi um dos
motivos que levaram a petroquímica holandesa LyondellBasell a desistir de
comprar a Braskem. A Braskem é a joia do grupo Odebrecht e a transação era
vista como essencial para a sobrevivência do conglomerado que, pouco depois,
entrou em recuperação judicial.
Balanço – A Braskem teve prejuízo de R$ 888 milhões no terceiro trimestre,
revertendo lucro de R$ 1,34 bilhão em igual período de 2018. Segundo a empresa,
a perda foi provocada pela desvalorização do real frente ao dólar. Hoje, as exportações
e as operações no México, Estados Unidos e Europa somam 55% da receita da
empresa.



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