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A história do particípio

22/04/2015 13h52 - Atualizado há 11 anos Publicado por: Redação
A história do particípio

Nossas gramáticas mais antigas, ao tratarem dessa variante verbal, denominavam-na de particípio passado, para diferenciar do particípio presente e do particípio futuro, formas correntes no latim. Essas duas últimas formas, hoje, continuam como adjetivos ou substantivos. “Amante”, “parente”, “pedinte”, “presidente”, “poente”, etc. são remanescentes do particípio presente; e “nascituro”, “duradouro”, “imorredouro”, etc. procedem do particípio futuro latino. 

Apesar de terem permanecido em português as três variantes, somente o particípio passado vingou como forma verbal nos tempos compostos, alternando como adjetivo e substantivo: “Tínhamos calado (partic.) antes para não criar problemas, porém hoje não ficamos calados (adj.) mais”. O particípio presente manteve a forma em português, ora como adjetivo, ora como substantivo. Mas ainda cria problemas quanto à concordância no feminino. A Dilma, por exemplo, além dos ferrenhos e interesseiros opositores políticos, tem farejadores gramaticais que não querem que seja presidenta. Porém, deixam passar “a governanta da família real” e “a infanta Maria Leopoldina”. Pode ser um viés político voltado para a monarquia, alternando com a defesa da ditadura militar. No entanto, Machado de Assis, no conto “A causa secreta”, aceita a flexão feminina: “De noite, indo repousar uma parenta de Maria Luíza, que a ajudara a morrer…”. Ah! Então é possível, né? Ainda que a prática não se tenha expandido a todos esses casos. O particípio futuro ainda me traz evocações pela conhecida saudação ao imperador César, formalizada pelos gladiadores romanos antes da luta:”Ave Caesar, morituri te salutant!” (Ave César, os que vão morrer te saúdam). O português não conservou “morituros, mas felizmente a medicina recuperou a vida com “nascituros”.

(*) O autor é professor de português e revisor de textos. d.dedit@terra.com.br– d.deditzes@gmail.com

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